Autoridades e outros suspeitos são investigados por suspeita de fraudar licitações, direcionar contratos públicos, superfaturar pagamentos e ocultar a movimentação dos recursos. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos nesta segunda-feira (13).
Segunda-feira (13) de julho de 2026
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| Secretário Luciano Sandes e vereador Gordinho da Favela são alvos de operação em Salvador — Foto: Reprodução |
Segundo o MP, o grupo teria provocado prejuízos estimados em R$ 38,3 milhões aos cofres públicos da prefeitura de Salvador.
Na decisão, a juíza Martha Carneiro Terrin e Souza, da 3ª Vara das Garantias de Salvador, afirma que a permanência de Sandes em função com poder para autorizar despesas, ordenar pagamentos e influenciar procedimentos administrativos representa risco para a investigação.
A magistrada destacou a possibilidade de interferência na produção de provas, manipulação de documentos e constrangimento de servidores que possam colaborar com as apurações. Para a Justiça, o afastamento é necessário para impedir que a estrutura pública seja utilizada para comprometer a coleta de evidências e a continuidade das investigações.
A operação foi deflagrada nesta segunda-feira (13) pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MP da Bahia. Além de Sandes, a Justiça também determinou o afastamento cautelar do mandato do vereador George Gordinho da Favela (PP), integrante da base aliada ao prefeito Bruno Reis (União Brasil) na Câmara Municipal e pré-candidato a deputado estadual.
Segundo a decisão, a permanência do vereador no cargo preservaria a influência política que, em tese, teria sido utilizada para favorecer os interesses do grupo investigado. Ambos são apontados como integrantes do núcleo público que, segundo o Ministério Público, teria garantido sustentação institucional dos interesses do grupo empresarial investigado dentro da administração municipal.
De acordo com os investigadores, a suposta organização criminosa teria atuado por cerca de uma década em contratos da Secretaria Municipal de Manutenção (Seman) e da Companhia de Desenvolvimento Urbano de Salvador (Desal), utilizando aditivos contratuais, pagamentos suspeitos e mecanismos de direcionamento para beneficiar empresas ligadas ao esquema.
Um dos casos destacados pelo Ministério Público envolve o Pregão Eletrônico nº 25/2018. Conforme os autos, contratos e aditivos totalizavam inicialmente R$ 8,9 milhões, mas os pagamentos efetivamente realizados alcançaram R$ 15,2 milhões. A investigação aponta um aumento superior a 60% sem justificativa técnica considerada suficiente, circunstância que levou a Justiça a citar expressamente a atuação de Luciano Sandes como ordenador de despesas e gestor responsável pela pasta no período analisado.
No início da gestão de Bruno Reis, em 2021, Luciano Sandes assumiu a Secretaria Municipal de Manutenção da Cidade (Seman), onde permaneceu entre janeiro de 2021 e janeiro de 2023. Em seguida, foi nomeado secretário municipal de Articulação Comunitária e Prefeituras-Bairro, posto do qual foi afastado por decisão judicial.
