Investigação aponta fraude em licitações, pagamento de propina e lavagem de dinheiro; empresário foi preso
Terça-feira (07) de julho de 2026
O Ministério Público e a Polícia Civil deflagraram nesta terça-feira (7) uma operação contra um suposto esquema de fraudes na contratação de shows em Santa Catarina, com mandados de busca e apreensão em 18 cidades do estado.
A Promotoria afirma que há indícios da existência de um cartel que atuava na manipulação de preços, eliminação forçada de concorrência, pagamento de propina a agentes públicos e lavagem de dinheiro. Ao todo, foram expedidos 50 mandados de busca em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul.
Um empresário do setor de eventos foi preso preventivamente (ou seja, por tempo indeterminado) e o prefeito de Governador Celso Ramos, Marcos Henrique da Silva (PL), foi afastado do cargo. A reportagem entrou em contato por telefone com a prefeitura da cidade, mas não obteve resposta até a publicação deste texto.
O empresário preso é José Clemir Spinelli, proprietário da Spinelli Produções, empresa sediada em Itapema e em atividade desde 2008, especializada na produção de shows para festas municipais, principalmente com artistas sertanejos.
A reportagem entrou em contato por telefone e mensagem com a empresa, mas não obteve resposta. Procurada por email pela manhã, o Tribunal de Justiça de Santa Catarina não informou se Spinelli apresentou defesa.
A empresa produziu a festa de 62 anos de Governador Celso Ramos, realizada nos dias 7 e 8 de novembro de 2025, com shows de pagode, gospel, sertanejo e música nativista gaúcha. Em setembro do ano passado, a empresa produziu a 4ª Mafra Fest, que teve como atrações, entre outras, as duplas Maiara & Maraísa e Guilherme & Benuto.
Operação em 18 cidades
Além de Governador Celso Ramos e Itapema, foram cumpridos mandados nas cidades catarinenses de Abdon Batista, Apiúna, Aurora, Bombinhas, Brusque, Canoinhas, Indaial, Itaiópolis, Laurentino, Mafra, Palhoça, Porto Belo, Pouso Redondo, Santa Terezinha, São Bento do Sul e Três Barras. Também houve um mandado cumprido em Porto Alegre.
Foi determinado o bloqueio de aproximadamente R$ 9 milhões em bens e valores dos investigados. A operação, batizada de Pão e Circo, foi autorizada pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina porque envolveu investigados com foro por prerrogativa de função.
Os investigados estão proibidos, por decisão judicial, de manter contato entre si e com testemunhas, além de acessar repartições municipais.
"Pão e Circo"
A operação recebeu o nome em referência à política adotada pelos imperadores romanos, que buscavam controlar a plebe por meio da distribuição de trigo (o pão) e da oferta de espetáculos públicos (o circo).
Dessa forma, desviavam a atenção dos problemas sociais e políticos, enquanto a nobreza desfrutava dos privilégios, riquezas e do poder, perpetuando a desigualdade.
Veja as cidades catarinenses onde os mandados são cumpridos: Abdon Batista, Apiúna, Aurora, Bombinhas, Brusque, Canoinhas, Governador Celso Ramos, Indaial, Itaiópolis, Itapema, Laurentino, Mafra, Palhoça, Porto Belo, Pouso Redondo, Santa Terezinha, São Bento do Sul e Três Barras
Os materiais apreendidos durante as diligências serão encaminhados à Polícia Científica, que realizará exames periciais. Após a análise inicial, as evidências serão analisadas pelas equipes de investigação para dar continuidade ao desmantelamento da rede criminosa.
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| Operação que resultou em prefeito afastado de SC investiga cartel de shows em SC e cumpre 50 mandados em 19 cidades Foto: Divulgação/MPSC |
Quem é o empresário preso em operação
José Clemir Spinelli, dono da Spinelli Produções, foi preso nesta terça-feira (7) durante operação que apura fraudes em licitações de shows em cidades de Santa Catarina. Batizada de "Pão e Circo", a ação investiga um cartel com políticos e outros empresários do setor de eventos no estado.
| José Clemir Spinelli, preso na operação Pão e Circo nesta terça-feira (7) — Foto: Reprodução/Redes Sociais |
No total, a ação do Gaeco cumpriu 50 mandados de busca e apreensão em 18 municípios catarinenses, além de um no Rio Grande do Sul. O prefeito de Governador Celso Ramos foi afastado do cargo e a Justiça determinou o bloqueio de R$ 9 milhões em bens e valores dos suspeitos.
Clemir foi detido em Itapema, no Litoral Norte, sendo o único preso da ação nesta manhã. Em 2022, ele foi candidato a deputado federal pelo PSB, mas recebeu 437 votos não sendo eleito.
A empresa de Spinelli venceu licitações para shows tradicionais em municípios catarinenses. Nas redes, o investigado mostrava a rotina com a família e o trabalho, ao lado de artistas nacionais, como Eduardo Costa, Israel & Rodolfo, João Neto & Frederico.
O que é o Gaeco? É uma é uma força-tarefa de Estado que desde 1994 atua na identificação, repressão e combate o crime organizado em diversas esferas, incluindo crimes contra a administração pública. É coordenada pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) e composta por membros das polícias Militar, Civil e Penal, Receita Estadual e Corpo de Bombeiros.
Como funcionava o esquema?
Conforme o MPSC, os suspeitos estruturaram e colocaram em prática um esquema de fraude para eliminar a concorrência, manipular preços e dominar o mercado de shows com artistas de renome nacional.
Além das fraudes, os envolvidos são suspeitos de recorrer ao pagamento e ao recebimento de propina para viabilizar o esquema e à lavagem de dinheiro para ocultar os valores obtidos com as irregularidades.

