SAIBA QUEM SÃO OS ADVOGADOS PRESOS POR ENVOLVIMENTO COM ORGANIZAÇÕES CRIMINOSAS NA BAHIA

Ao todo, foram cumpridos 22 mandados de prisão preventiva em seis municípios baianos.
Segunda-feira (06) de julho de 2026
Cinco advogados alvos da Operação Sintonia de Gravata, que tem como objetivo desarticular um esquema que envolve facções com atuação no sistema prisional da Bahia, tiveram as prisões convertidas em preventivas após audiências de custódias realizadas no domingo (5).

Segundo apurações, as audiências Izabela da Silva de Oliveira, Luã Santos da Costa, Maria Mariana Batista de Oliveira, Ícaro Cardoso Viana e Tamires Felix Alves Silva foram realizadas em Salvador. Com o resultado, os quatro deixaram o Departamento Especializado de Investigação e Repressão ao Narcotráfico (Denarc) e foram encaminhados ao sistema prisional.

Ainda não há informações sobre os resultados das audiências de custódias dos outros advogados.

A ação investiga a atuação de grupos criminosos envolvidos em tráfico de drogas, aquisição, circulação, posse e guarda de armas de fogo de facções, além da articulação entre integrantes custodiados e agentes em liberdade.

Doze detentos já custodiados também tiveram mandados de prisões cumpridos.

Inicialmente, apenas nove dos advogados buscados tinham sido localizados. O décimo foi preso no final da tarde desta sexta-feira, após ser encontrado escondido em uma residência na cidade de Marcionílio Souza, a 350 km de Salvador.

Também foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão expedidos pela 1ª Vara Criminal da Comarca de Eunápolis, com diligências nos municípios de Salvador, Lauro de Freitas, Camaçari, Feira de Santana, Serrinha e Barreiras.

Conforme a investigação, os advogados presos na ação atuam para diversos chefes de facções.

Veja o que se sabe sobre os suspeitos
Advogados são presos em operação na Bahia — Foto: Arte/TV Bahia
Maria Tereza Novaes Martins
Atuaria em favor de Victor de Freitas Silva, conhecido como "Da Jega", uma dos chefes da organização criminosa Comando Vermelho (CV), com atuação em Feira de Santana.

Izabela da Silva de Oliveira
Atuaria em favor de Averaldo Ferreira da Silva Filho, conhecido como "Averaldinho". Ele é integrante e um dos chefes da organização criminosa Bonde do Maluco (BDM), com atuação principal na cidade de Salvador.

Luan Mascarenhas de Souza
Atuaria em favor de Francisleno de Jesus Nunes, conhecido como "Su, Coroa ou Mineiro". Os crimes pelos quais ele responde não foram detalhados.

Ícaro Cardoso Viana
Atuaria em favor de Gleidson Bomfim do Nascimento, Ademilton Mercês Alves e Décio Douglas Silva Oliveira. Esse último é conhecido como "Vaqueiro", um dos chefes do BDM.

Luã Santos da Costa
Atuaria em favor de Leandro da Conceição Santos Fonseca, conhecido como "Léo Gringo", um dos chefes do BDM na Bahia, e de Wesley Willian Alves dos Santos. No caso desse último, não foram detalhados os crimes pelos quais ele responde.

Fernanda Oliveira Borges
Atuaria em favor de Marlos Araújo Souza Junior, conhecido como "Bolão, CRM, JR". Ele é vinculado à organização criminosa Terceiro Comando Puro (TCP), com atuação principal em Senhor do Bonfim, no norte da Bahia.

Tamires Felix Alves Silva
Atuaria em favor de Décio Douglas Silva Oliveira, o "Vaqueiro", do BDM.

Maria Mariana Batista de Oliveira
Atuaria em favor de Fabio Santana Oliveira, conhecido como "Panda" e apontado como um dos chefes do CV, com atuação principal na região de Capim Grosso; de José Lucas Silva Rocha, o "Índio", integrante do CV, com atuação na cidade de Eunápolis, no extremo sul; e Victor de Freitas Silva, o "Da Jega", um dos chefes da facção em Feira de Santana.

Raiza da Silva
Fez a defesa de Ian Pedro Santos, chefia do Comando Vermelho da cidade de Casa Nova.

Joanderson Almeida dos Santos
Também advogado de Leandro da Conceição Santos Fonseca, conhecido como "Léo Gringo".

Vídeos e áudios mostram traficantes ditando ordens
O Fantástico divulgou, no domingo (5), imagens de câmeras instaladas com autorização judicial no parlatório, que registraram, entre setembro de 2025 e janeiro de 2026, momentos em que os profissionais receberam e transmitiram instruções detalhadas sobre a compra e venda de armamentos, contabilidade do tráfico de drogas, além de planejamentos de homicídios e sequestros. 

Os bilhetes com as diretrizes das quadrilhas eram escondidos pelos advogados sob as roupas íntimas para burlar a fiscalização.

"Nós estamos tratando de indivíduos que se utilizam de uma prerrogativa da advocacia para cometer crime", afirmou o coordenador do Gaeco do MP-BA, Luiz Ferreira de Freitas Neto. "Denunciamos todos pelo pertencimento ao crime de organização criminosa. Diversos crimes são observados na conversa, desde tráfico de armas, tráfico de drogas, homicídios."

As gravações capturadas nas cabines do parlatório revelaram a atuação individualizada de integrantes do grupo:

Ícaro Cardoso Viana
O advogado foi registrado recebendo instruções para recolher duas pistolas com a tia de um criminoso. Em outros trechos, ele faz anotações enquanto um preso dita os preços de substâncias ilícitas utilizando codinomes como "peixe" (cocaína), "óleo" (crack) e "chá" (maconha). As imagens mostram que a contabilidade da quadrilha ainda incluía o uso de cheques bancários.

Fernanda Oliveira Borges
Foi filmada retirando papéis com informações de dentro de suas vestes. Os vídeos mostram os detentos ditando balanços financeiros de entorpecentes acompanhados por ela, além de ordens de cobranças de dívidas sob ameaça e anotações ligadas a planejamentos de sequestros.

Maria Mariana Batista de Oliveira
Conforme as investigações, ela mantinha contato frequente com uma liderança do Comando Vermelho. Em um dos vídeos, ela chora com o preso ao informá-lo sobre a morte de um comparsa que atuava na Bahia e foi morto em confronto com a Polícia Militar no Rio de Janeiro durante a Operação Contenção — a mais letal do país, que deixou 122 mortos em outubro do ano passado. Depois, o detento afirma que pretende matar policiais, enquanto a advogada repassa dados sobre o paradeiro de uma carabina (chamada de "CT") e frações de munição, além de receber instruções sobre como embalar cocaína em pinos plásticos para venda.


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