Dayana Patino ficou presa após o desabamento de um prédio em La Guaira e afirma que o recém-nascido foi sua motivação para resistir até a chegada do resgate
Segunda-feira (29) de junho de 2026
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| Bebê de 18 dias é resgatado com vida 32 horas após terremotos na Venezuela — Foto: AFP |
Resgatada após mais de 30 horas ao lado do filho, Juan David, ela contou à BBC que verificava constantemente se o recém-nascido ainda respirava para encontrar forças para continuar viva.
— Enquanto ele estivesse vivo, eu estaria viva. De vez em quando eu tocava o nariz dele para ter certeza de que ele ainda estava respirando — relatou.
As imagens do resgate da mãe e do bebê circularam pelo mundo e transformaram Juan David em um símbolo de esperança em meio à tragédia. Dois terremotos atingiram a Venezuela na quarta-feira, deixando pelo menos 1.450 mortos.
Dezenas de milhares de pessoas continuam desaparecidas, enquanto as equipes de busca seguem trabalhando, embora as chances de encontrar novos sobreviventes diminuam. O presidente interino da Venezuela classificou o desastre como "a catástrofe natural mais brutal" da história do país.
Sobrevivência sob os escombros
Dayana contou que lavava a louça em seu apartamento, no oitavo andar de um prédio na região costeira de La Guaira, no norte da Venezuela, quando os tremores começaram.
Ao sentir o primeiro abalo, correu para pegar o filho nos braços, acreditando que seria "apenas um tremor leve". Pouco depois, o edifício desabou.
— Senti como se estivesse voando. Depois disso, senti como se estivesse afundando na água e na terra, e então caí no buraco onde permaneci. Não sei como não soltei meu bebê, porque eu estava voando. Fiquei prensada contra móveis — contou.
Ela disse que tentou pedir socorro logo após ficar presa, mas percebeu que ninguém conseguia ouvi-la.
— Disse a mim mesma que não iria desperdiçar minhas forças. Eu gritaria quando fosse necessário, quando ouvisse vozes ou passos por perto.
Segundo Dayana, a perna esquerda ficou presa sob o concreto, impedindo qualquer movimento, enquanto sua têmpora permanecia pressionada contra uma pedra.
— Não sei como consegui manter tanta calma, porque minha perna esquerda estava presa sob o concreto. Eu não conseguia me mover. Minha têmpora estava pressionada contra uma pedra — disse à BBC.
O resgate e o reencontro
A esperança voltou quando ouviu a voz do irmão chamando por ela.
— Disse a mim mesma: esta é minha única chance. Gritei com toda a força dos meus pulmões... Berrei "Estou aqui" com toda a minha força, e ele respondeu: "Eu encontrei você e prometo que não vou sair daqui até tirar você daí".
O irmão permaneceu no local até o fim da operação de resgate. Dayana e Juan David foram retirados dos escombros na noite de quinta-feira. A mãe sofreu ferimentos nas duas pernas, enquanto o bebê teve apenas lesões leves.
'Achei que eles estavam mortos'
O marido de Dayana, Gerson, havia acabado de chegar em casa quando os terremotos começaram. Depois de estacionar o carro, conseguiu escapar ao pular uma cerca. Ao ver o prédio destruído, acreditou que a esposa e o filho haviam morrido.
Após o resgate, descreveu o momento como "um milagre".
— Foi indescritível. Achei que eles estavam mortos. E quando vi meu filho, senti como se tivesse nascido de novo. Não consegui acreditar... Senti a vida voltar para mim.
Nas imagens do resgate, amplamente compartilhadas nas redes sociais, Gerson aparece fechando os olhos, inclinando a cabeça para o céu e abraçando o filho, emocionado.
A família perdeu a casa e todos os seus pertences. O cachorro continua desaparecido. Apesar disso, Dayana e Gerson afirmam que pretendem reconstruir a vida.
Por O Globo — Caracas
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