‘REI DO LIXO’, EMPRESÁRIO LIGADO AO CENTRÃO E MAIS 24 SÃO INDICIADOS PELA PF POR DESVIO DE EMENDAS E FRAUDES DE R$ 1,4 BILHÃO NA BAHIA

Foto obtida pela coluna do PlatôBR mostra ACM Neto, um dos principais líderes do União Brasil, ao lado do Rei do Lixo em cassino de Punta del Este
Segunda-feira, (17) de agosto de 2026
A Polícia Federal indiciou 25 alvos da Operação Overclean, que investiga o desvio de emendas parlamentares e fraudes de R$ 1,4 bilhão em licitações, pelos crimes de corrupção, peculato, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Entre os indiciados estão o empresário José Marcos de Moura, o "Rei do Lixo", e os ex-coordenadores estaduais do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs) na Bahia Lucas Maciel Lobão Vieira e Rafael Guimarães de Carvalho.

As investigações envolvendo as emendas dos deputados federais Dal Barreto (União Brasil-BA), Félix Mendonça Júnior (PDT-BA), Elmar Nascimento (União Brasil-BA) e Vicentinho Júnior (PSDB-TO) ainda estão em curso. Eles negam qualquer ilícito na destinação dos recursos.

Como mostrou o Estadão, a empresa MM Consultoria Construções e Serviços LTDA, do empresário José Marcos Moura, o "Rei do Lixo", movimentou R$ 861.412.612,79 em operações classificadas como suspeitas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

O empresário é apontado como "articulador político e operador de influência" do esquema de desvio de emendas investigado na Operação Overclean. Contratos com prefeituras na Bahia, no Tocantins, no Amapá, no Rio de Janeiro e em Goiás estão no radar da PF.

O "Rei do Lixo" chegou a ser preso na primeira fase da investigação, mas conseguiu habeas corpus para aguardar a conclusão do inquérito em liberdade. Ele foi alvo de buscas novamente na terceira fase da Operação Overclean. A PF chegou a pedir um novo mandado de prisão contra o empresário, mas o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques, relator da investigação, negou.

A Polícia Federal afirma que o esquema envolveu negociação de propina com servidores públicos. Os federais investigam agora se houve conluio com os deputados que indicaram as emendas. O inquérito foi enviado ao STF porque o deputado Elmar Nascimento, que tem foro privilegiado, foi citado. Ele nega irregularidades.

O inquérito teve início a partir de suspeitas envolvendo uma licitação de quase R$ 112 milhões para pavimentar avenidas e estradas urbanas e rurais em municípios da Bahia. O processo licitatório estava sob responsabilidade do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dncos), autarquia federal vinculada ao Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional.
Foto obtida pela coluna do PlatôBR mostra ACM Neto, um dos principais líderes do União Brasil, ao lado do Rei do Lixo em cassino de Punta del Este


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