Ativo nas redes para atacar opositores, o deputado Sóstenes Cavalcante evita explicar a origem legal dos R$ 470 mil apreendidos pela PF em seu flat em Brasília. Deputado foi alvo de mandados de busca e apreensão em operação que investiga desvio de recursos de cota parlamentar para empresas de fachada, entre elas, uma locadora de veículos.
Domingo, (07) de junho de 2026
Passou o Natal, virou o ano e chegamos na metade de 2026, mas o deputado Sóstenes Cavalcante até hoje não explicou a origem dos R$ 470 mil descobertos pela Polícia Federal em seu apartamento em Brasília,escondido num saco de lixo dentro do armário.
Não é que ele esteja sumido. Não, o deputado Sóstenes é ativo na rede X, onde bate ponto quase diariamente, às vezes mais de uma vez por dia. Mas sem apresentar justificativa alguma sobre o dinheiro muito vivo. Recebeu de quem? Se foi pela venda de uma casa, cadê o recibo, a escritura, o comprovante?
Nada, Sóstenes usa a rede X para abafar o xis da questão e atua como um sommelier de postagens alheias, comentando o caso Master, a advocacia da esposa do ministro Alexandre de Moraes, o sequestro do presidente da República Bolivariana de Venezuela Nicolás Maduro e sua esposa. Até a loteria bilionária de final de ano. Mas, sobre a origem legal do dinheiro, nada.
A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira (19) uma nova fase de investigação sobre um esquema de desvio de recursos públicos provenientes da cota parlamentar. A operação é um desdobramento da Operação Rent a Car, iniciada em dezembro de 2024.
Em um endereço ligado a Sóstenes, que é líder do PL na Câmara dos Deputados, a PF apreendeu cerca de R$ 470 mil em espécie.
De acordo com apuração da TV Globo, os deputados Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) e Carlos Jordy (PL-RJ) são alvos de mandados de busca e apreensão autorizados pela Justiça.
Segundo os investigadores, o esquema envolvia o uso de contratos falsos com locadoras de veículos para justificar despesas inexistentes, permitindo o desvio de verbas públicas e a posterior lavagem de dinheiro.
No dia da apreensão, o deputado deu uma coletiva em que mais gaguejava que falava, afirmando que não tinha nada a temer e tudo seria explicado.
Sóstenes usa documento aparentemente falso como defesa
Na véspera de Natal, cinco dias após a apreensão dos R$ 470 mil, o deputado voltou à rede X com um vídeo onde apresentou a escritura de compra de uma casa e a declaração ao Imposto de Renda.
Dois problemas:
- As pessoas não queriam saber da compra da casa pelo deputado, mas da escritura de venda, que justificaria o dinheiro encontrado em seu flat;
- O documento que ele apresenta sobre a comunicação à Receita, aparentemente foi manipulado, pois a palavra SIGILO está cortada denunciando que a parte superior do documento foi colada nele por montagem.
Sóstenes e o Titanic
Por que deputado Sóstenes, você não prova de uma vez a origem legal dos R$ 470 mil, se diz não ter nada a temer?
Está tão difícil assim achar o comprador e a escritura que comprove a venda?
Pega mal um pastor, líder do maior partido em número de deputados na Câmara, ficar fingindo que seu Titanic não está afundando.
Acha que criticar Maduro, Venezuela, puxar o saco do presidente dos Estados Unidos Donald Trump e do ex-presidente Jair Bolsonaro e seus filhos vão fazer as pessoas esquecerem o dinheiro em seu flat e a suspeita de que tenha origem ilegal?
Entenda: PF apreendeu cerca de R$ 470 mil em flat usado por Sóstenes
A Polícia Federal (PF) apreendeu cerca de R$ 470 mil em espécie em um endereço ligado ao deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), em Brasília, segundo informações obtidas pela TV Globo.
O dinheiro foi encontrado durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão da Operação Galho Fraco, realizada nesta sexta-feira (19), que também mira o deputado Carlos Jordy (PL-RJ).
Segundo a PF, há indícios de que as cotas parlamentares de Sóstenes e de Jordy foram desviadas e utilizadas para cobrir "despesas inexistentes" e "irregulares". Os deputados são suspeitos de desviar verba pública para empresas de fachada, incluindo uma locadora de veículos.
No caso de Sóstenes, os investigadores informaram que o valor em espécie estava dentro de um saco preto, encontrado em um armário no flat usado pelo deputado, na capital federal.
A jornalistas, o deputado afirmou que os R$ 470 mil têm origem na venda de um imóvel e que ele é vítima de uma perseguição judicial.
"Quem quer viver de dinheiro de corrupção bota em outro lugar, vendi um imóvel, o dinheiro, o imóvel me foi pago com dinheiro lícito e está lacrado, tem origem", argumentou Sóstenes.
Em dezembro do ano passado, a PF deflagrou uma operação semelhante, que mirou assessores dos parlamentares. Segundo informações do blog da Camila Bomfim, no g1, o material apreendido deu embasamento para a operação desta sexta, mirando os próprios deputados.
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