TRAFICANTE DO COMANDO VERMELHO MARCOU REUNIÃO COM ALIADO DE FLÁVIO BOLSONARO, INTERMEDIADA POR TH JOIAS, DIZ SITE

Chefe do CV, o traficante Gabriel Dias de Oliveira, o “Índio do Lixão”, enviou mensagem a assessor de TH Joias cobrando indicação para cargos no governo Cláudio Castro e teve promessa de reunião com Gutemberg Fonseca, indicado por Flávio Bolsonaro.
Quinta-feira, (28) de maio de 2026
Chefe da facção criminosa Comando Vermelhor, o traficante Gabriel Dias de Oliveira, o “Índio do Lixão”, teria conseguido uma reunião com Gutemberg Fonseca, indicado por Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para a secretaria de Defesa do Consumidor no ex-governo Cláudio Castro, no Rio de Janeiro. Fonseca deixou o cargo e é pré-candidato a deputado federal pelo PL do Rio, controlado pelo clã do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). As informações foram divulgadas nesta segunda-feira (25) pela jornalista Bruna Lima, no site Metrópoles.

Segundo a reportagem, o encontro foi intermedido por Eduardo Cunha Gonçalves, o Dudu, assessor do ex-deputado Thiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Joias, que foi preso sob suspeita de fornecer fuzis ao Comando Vermelho.

As conversas entre Índio do Lixão e Dudu constam no relatório da Polícia Federal, que aumentou o cerco sobre o grupo político nas investigações sobre a facção criminosa. Em junho de 2025, o traficante teria enviado via WhatsApp um vídeo do Instagram de Fonseca sobre uma reunião da Secretaria de Defesa do Consumidor, Procon e Enel.

“Mérito que ganha quando eu resolvo algo. Aí, reunião Enel, Procon e Sedcon”, teria reclamado o membro do CV. “Mandei pro Menezes. Falei que era legal ter levado você. Ele ainda não respondeu”, respondeu o assessor de TH Joias.

Segundo a PF, Menezes é o agente federal Marcos José Menezes que atuou no Procon, que é subordinado à Secretaria de Defesa do Consumidor, que era comandada pelo indicado de Flávio Bolsonaro.
“Pergunta da nomeação. Se ele não for, eu vou em outro caminho já certo”, disse o traficante, sugerindo indicação de nomes para cargos públicos.

“Eu aviso ele”, respondeu o assessor de TH Joias, que uma hora depois pediu o número de identidade do membro do CV: “vamos pegar logo essa nomeação”.

Em agosto, o traficante pressiona o assessor do ex-deputado insatisfeito possivelmente com o “travamento” da indicação.

“Irmão, caso o Marcos [Menezes) não resolver, o que você acha Guto chamar o Júnior e dar o papo? [sic]”, disse o traficante. “Posso falar com ele. Já fala com Marcos agora. Senão eu já ligo nele [Gutemberg Fonseca]”, respondeu Dudu.

Segundo o Metrópoles, dois dias depois, um diálogo entre Dudu e Lixão mostra que Menezes teria conseguido uma reunião direta entre o traficante o Gutemberg. A PF diz, no entanto, que não é possível saber se o encontro ocorreu.

Apontado pela PF como um dos chefes do Comando Vermelho, Índio do Lixão é investigado por tráfico internacional de armas e teria um batalhão de Policiais Militares fluminenses atuando em sua segurança pessoal e no apoio logístico ao Comando Vermelho.

A reportagem ainda mostra ainda outras mensagens, entre maio e agosto de 2025, em que Lixão fala sobre encontros ou troca de favores com Gutemberg Fonseca, que deixou o cargo em abril de 2026 para dar início à pré-campanha à Câmara Federal.

Em maio deste ano, a PF prendeu o ex-Secretário Estadual de Esportes do Rio de Janeiro, Alessandro Pitombeira Carracena, durante a Operação Anomalia, por venda de influência para favorecer os interesses do Comando Vermelho.

Carracena também teria sido indicado por Flávio Bolsonaro ao então governador Cláudio Castro. À época, Gutemberg Fonseca saiu em defesa do senador e disse que a indicação de Carracena partiu dele.
Quem é Gutemberg Fonseca

Do obscuro mundo da arbitragem de futebol ao coração político do bolsonarismo fluminense, Gutemberg Fonseca virou peça de confiança de Flávio Bolsonaro no governo de Cláudio Castro.

Nos corredores do Palácio Guanabara, Gutemberg era tratado como uma espécie de “porta-voz” informal do senador, operando a interlocução entre o clã Bolsonaro e a máquina estadual fluminense.

A proximidade era tamanha que auxiliares do governo relatavam que sua permanência no cargo dependia muito mais da blindagem política de Flávio do que do desempenho administrativo.

O nome de Gutemberg emergiu no rastro explosivo das investigações da PF sobre a relação entre agentes públicos e o Comando Vermelho.

Os investigadores apontam diálogos envolvendo o traficante conhecido como “Índio do Lixão”, que teria buscado “cobertura política” junto ao entorno do secretário.

Gutemberg nega qualquer vínculo com integrantes da facção, mas o desgaste contaminou diretamente o núcleo político de Flávio Bolsonaro, já pressionado por sucessivas crises envolvendo aliados no Rio. Ainda assim, o senador manteve o apadrinhamento político e decidiu apoiar a candidatura de Gutemberg à Câmara Federal, numa demonstração de fidelidade típica do bolsonarismo raiz: cai um aliado, outro é resgatado no colo da máquina partidária.


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