DELEGADO DA POLÍCIA FEDERAL QUE ABSOLVEU FLÁVIO BOLSONARO É FLAGRADO ROUBANDO ITEM DE LUXO EM SHOPPING; VEJA VÍDEO

Erick Blatt, flagrado furtando iguaria que custa em torno de R$ 3 mil o quilo, não viu crimes de lavagem de dinheiro ao investigar Flávio Bolsonaro por ocultação de bens à justiça eleitoral.
Domingo, (12) de abril de 2026
Flagrado pelas câmeras de segurança roubando um vidro de carpaccio de trufa em um supermercado localizado no Shopping RioMar, em Recife, o delegado da Polícia Federal Erick Ferreira Blatt isentou Flávio Bolsonaro em investigação sobre ocultação de patrimônio e possível lavagem de dinheiro em 2020.

Ex-diretor da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) no Rio de Janeiro e atualmente lotado em Pernambuco, Blatt chegou a ser detido após abordagem do segurança do supermercado, que confirmou que estava em seu bolso o pote da iguaria, que custa em torno de R$ 3 mil o quilo. Conduzido à delegacia, ele foi atuado e liberado.

Blatt é tido como um dos pivôs do atrito que levou Sergio Moro (PL-PR), atual candidato de Flávio Bolsonaro ao governo do Paraná, a deixar o “super” ministério da Justiça em abril de 2020. À época, o então ministro acusou Jair Bolsonaro (PL) de “interferência” na Polícia Federal após ouvir do ex-presidente que trocaria o comando da corporação e até do ministério dizendo que “eu não vou esperar foder a minha família toda”.

Como presidente da ADPF, Blatt também foi acusado de contratar a empresa da namorada para produção e a entrega de cestas de Natal para os associados – o que é proibido pelo estatuto da organização.

Ao conduzir a investigação sobre falsidade ideológica eleitoral por suposta ocultação de patrimônio na declaração de bens à Justiça eleitoral em 2014, Blatt concluiu que Flávio tinha “renda compatível” e que que não havia indícios do crime eleitoral e também de lavagem de dinheiro.

Flávio também era investigado no esquema de corrupção das rachadinhas, a cargo de outro delegado da PF e do Ministério Público do Rio de Janeiro. Mas, o inquérito acabou suspenso no Superior Tribunal de Justiça (STJ) em 2021 pelo ministro João Otávio Noronha, que um ano antes havia concedido prisão domicilar a Fabrício Queiroz, pivô das rachadinhas, e ouviu de Jair Bolsonaro que “a primeira vez que o vi foi um amor à primeira vista”.

“Prezado Noronha, permita-me fazer assim, presidente do STJ. Eu confesso que a primeira vez que o vi foi um amor à primeira vista. Me simpatizei com Vossa Excelência. Temos conversado com não muita persistência, mas as poucas conversas que temos o senhor ajuda a me moldar um pouco mais para as questões do Judiciário. Muito obrigado a Vossa Excelência”, disse o ex-presidente na ocasião.
Como o episódio afeta a imagem da PF
O flagrante expondo um delegado da PF por tentativa de furto reacende preocupações históricas a respeito da credibilidade das instituições de segurança pública no Brasil. A PF, instituição frequentemente relacionada a investigações de grande porte e combate à corrupção, vê seu prestígio afetado quando membros de seus quadros são flagrados em situações de ilegalidade. Para especialistas, o risco imediato é a corrosão da confiança do público na polícia, especialmente em um contexto onde agentes são encarregados de promover a justiça e manter a ordem pública.

O episódio já levanta questionamentos sobre a conduta de outros agentes e impõe ao órgão pressão por transparência total em suas investigações internas. Iniciativas de transparência e integridade logo se tornam ainda mais fundamentais, principalmente diante dos últimos casos polêmicos relacionados à justiça. O impacto vai além do caso específico, pois pode fomentar debates em âmbitos legislativos e institucionais sobre mecanismos de controle e fiscalização interna.

Para a sociedade, o fato desencadeia reações de desconfiança e críticas sobre favoritismos e eventuais impunidades em relação a figuras públicas e integrantes de autarquias federais. Nas redes sociais e em fóruns de discussão, o episódio fortaleceu questionamentos quanto à eficácia dos controles internos de autoridades, ampliando o clamor popular por maior rigidez em fiscalizações e sanções administrativas a servidores públicos, com fortes reflexos em notícias do âmbito Brasil.

Críticas e conexões com decisões anteriores
O envolvimento de Erick Blatt em episódio policial delicado ganha contornos ainda mais polêmicos devido à sua ligação direta ao arquivamento do inquérito sobre Flávio Bolsonaro em 2020. Na ocasião, Blatt encerrou a investigação por falsidade ideológica eleitoral, dando parecer favorável ao então deputado estadual do Rio de Janeiro. O debate sobre possíveis relações entre decisões passadas e condutas atuais torna-se inevitável diante da gravidade do flagrante recente.

Historicamente, casos similares envolvendo servidores públicos em situações de flagrante provocam reações rápidas por corregedorias e conselhos disciplinares, como ampla cobertura da política nacional aponta. No entanto, a reincidência ou envolvimento de figuras com histórico em investigações importantes frequentemente resulta em escândalo de maior vulto. Essa comparação gera inquietações sobre a imparcialidade das decisões e a efetividade das respostas institucionais diante do atual cenário.

As consequências podem envolver procedimentos administrativos, suspensão ou até afastamento da função enquanto durarem as investigações. A depender do resultado e da pressão da opinião pública, o impacto para o próprio órgão pode acarretar revisão de protocolos internos, reacendendo discussões sobre necessidade de renovação em políticas de compliance e responsabilização.

Próximos passos sob investigação rigorosa
A decisão mais recente prevê abertura de procedimento disciplinar pela Polícia Federal para investigar a conduta de Erick Blatt. A expectativa é que o caso seja analisado dentro dos trâmites legais, podendo resultar em advertência, suspensão ou exoneração, a depender da apuração. O acompanhamento dos desdobramentos ganha atenção da imprensa e de órgãos de justiça, especialmente após a repercussão intensa do vídeo do flagrante no circuito de segurança.

Especialistas em direito público e penal avaliam que o caso pode ser um divisor de águas no trato de infrações cometidas por autoridades federais. O especialista José Silva ressalta: “O rigor da apuração será crucial para manter a legitimidade da PF”. Discussões similares ganharam destaque em análises recentes publicadas na editoria política, que apontam para a necessidade de revisão dos critérios de avaliação e punição de servidores públicos.

O futuro da investigação deve incluir depoimentos, análise das imagens e eventual denúncia formal. O episódio servirá de teste para a resiliência institucional da Polícia Federal e pode influenciar padrões de julgamento em próximos processos disciplinares, levando a sociedade e as entidades de classe a intensificarem o debate sobre ética, fiscalização e responsabilidade pública.


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