JUSTIÇA DA ITÁLIA DECIDE EXTRADITAR A EX-DEPUTADA CARLA ZAMBELLI, DO PL, CONDENADA A 15 ANOS DE PRISÃO

Justiça italiana aceitou pedido do governo brasileiro para extraditar a ex-parlamentar. Ela foi condenada pelo STF a 15 anos de prisão
Quinta-feira, (26) de março de 2026
A Justiça italiana decidiu, nesta quinta-feira (26), autorizar a extradição da ex-deputada Carla Zambelli para o Brasil. Condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 15 anos de prisão em dois processos, a bolsonarista havia fugido do país e foi capturada em julho de 2025, na Itália, onde permanece detida desde então.

A decisão foi proferida pelo Tribunal de Roma, em resposta a um pedido formal do governo brasileiro, mas ainda não é definitiva. A defesa de Zambelli pode recorrer ao Supremo Tribunal de Cassação, a mais alta instância do Judiciário italiano. Além disso, a palavra final caberá ao ministro da Justiça, Carlo Nordio, que tem a prerrogativa de confirmar ou rejeitar a extradição. Até a conclusão do processo, a ex-deputada seguirá presa no país europeu.

A expectativa é que, caso todos os trâmites sejam concluídos, Zambelli seja transferida ao Brasil nas próximas semanas e cumpra pena na Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia.

Próximos passos da extradição de Zambelli na Itália
Em declaração à Fórum, o deputado italiano Angelo Bonelli — responsável por localizar Carla Zambelli quando ela estava foragida e acionar a polícia — afirmou que a decisão da Justiça italiana reafirma a aplicação da lei no país.

“Respeito a decisão do tribunal italiano que aceitou o pedido de extradição de Carla Zambelli feito pelo governo brasileiro. Minha ação foi guiada por um forte senso cívico, porque ninguém está acima da lei. Carla Zambelli declarou que, como italiana, era intocável, mas na Itália ninguém é intocável se cometeu crimes”, disse.

O parlamentar também ressaltou que o caso ainda não está encerrado e chamou atenção para a etapa final do processo, que envolve o governo italiano.

“Agora veremos o que o Supremo Tribunal de Cassação decide e, caso a decisão de extradição do Tribunal de Apelações de Roma seja mantida, o ministro da Justiça do governo Meloni decidirá se Carla Zambelli será extraditada. Como membro do Parlamento italiano, preciso controlar que o ministro não invoque considerações políticas em um caso que envolve crimes graves.”

De acordo com Bonelli, o processo segue agora os trâmites previstos na legislação italiana. A defesa ainda pode recorrer ao Supremo Tribunal de Cassação e, se a decisão for mantida, o caso será encaminhado ao Ministério da Justiça, conforme estabelece o artigo 708 do Código de Processo Penal.

Pela regra, o ministro Carlo Nordio terá até 45 dias para decidir se confirma ou não a extradição após o encerramento da fase judicial. Caso não haja manifestação nesse prazo, a prisão pode ser revogada.

Se a extradição for autorizada, o governo italiano deverá comunicar ao Brasil a data e o local da entrega. A transferência precisa ocorrer em até 15 dias, podendo ser prorrogada por mais 20. Se o Brasil não assumir a custódia dentro desse período, a ordem perde validade e a ex-deputada poderá ser libertada.

Prisão na Itália após cooperação internacional
Zambelli foi presa em 29 de julho de 2025, em Roma, após quase dois meses foragida. A captura ocorreu em uma operação conjunta da Polícia Federal brasileira, da Interpol e das autoridades italianas.

A localização da ex-deputada só foi possível graças à atuação de Angelo Bonelli, parlamentar do partido Europa Verde. Ele identificou o endereço onde Zambelli estava escondida e repassou a informação às autoridades italianas.

“Liguei para a Polícia Nacional para informar o endereço. Duas horas e meia depois, confirmaram que ela estava no apartamento e aplicaram o pedido da Interpol”, relatou à época.

Apesar de alegar que teria se apresentado voluntariamente para pedir asilo, a versão foi desmentida por documentos oficiais e pela própria dinâmica da operação policial, que confirmou a prisão em residência.

Fuga do Brasil e pedido de extradição
A ex-deputada deixou o Brasil no fim de maio de 2025, pouco após o Supremo Tribunal Federal (STF) decretar sua prisão. Ela atravessou a fronteira com a Argentina de carro, seguiu para os Estados Unidos e depois viajou à Itália, onde entrou com passaporte italiano.

Em 11 de junho, o Ministério da Justiça formalizou o pedido de extradição junto ao governo italiano. Desde então, Zambelli permaneceu presa preventivamente, com a Justiça local apontando risco de fuga caso fosse colocada em liberdade.

Condenações no STF
Carla Zambelli acumula duas condenações no STF, que somam mais de 15 anos de prisão.

A principal delas prevê pena de 10 anos e 8 meses por invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e falsidade ideológica. Segundo a decisão, ela atuou em parceria com o hacker Walter Delgatti Neto para acessar ilegalmente dados do Judiciário.

A segunda condenação impôs pena de 5 anos e 3 meses por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal. O caso remete a um episódio ocorrido em outubro de 2022, quando Zambelli perseguiu armada o jornalista Luan Araújo nas ruas de São Paulo, durante o segundo turno das eleições.

Caso ganhou dimensão internacional
O caso Zambelli ganhou repercussão internacional e chegou a envolver autoridades dos dois países. Em outubro de 2025, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se encontrou, em Roma, com Angelo Bonelli, o deputado que denunciou o paradeiro da parlamentar brasileira.

Bonelli tem defendido que a Itália não sirva como refúgio para pessoas condenadas pela Justiça e atuou diretamente para viabilizar a prisão da ex-deputada. Agora, com a decisão favorável à extradição, o processo entra em sua fase final — que pode determinar o retorno de Zambelli ao Brasil para o cumprimento das penas impostas pelo STF.


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