DEPUTADO CRITICA "JUSTIÇA DE CLASSE" EM DECISÃO DE PRISÃO DOMICILIAR DO CRIMINOSO JAIR BOLSONARO DO PL

Deputado aponta seletividade do sistema penal após decisão de Moraes que concedeu prisão domiciliar ao ex-presidente por 90 dias. O ministro deixa uma mensagem: “Cadeia para os pobres e impunidade para os ricos”.
Terça-feira, (24) de março de 2026
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) criticou publicamente a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a concessão de prisão domiciliar ao criminoso Jair Bolsonaro (PL) por um período inicial de 90 dias. A medida foi tomada em razão do estado de saúde do ex-mandatário, após manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Em publicação feita nesta terça-feira (24), Lindbergh comentou a decisão e contextualizou o episódio no cenário político e judicial brasileiro, destacando que a condenação de Bolsonaro e de militares envolvidos em tentativa de golpe representa um marco histórico. Segundo ele, “a condenação de Bolsonaro e dos militares golpistas marcou a história do país e precisa ser afirmada como resposta grave a quem tentou destruir a democracia”.

O parlamentar, no entanto, direcionou críticas à forma como a pena vem sendo executada. Para ele, o episódio expõe desigualdades estruturais no sistema penal brasileiro. “O ponto que esse caso escancara é o funcionamento seletivo do sistema penal. Bolsonaro já estava numa unidade com espaço amplo e atendimento médico permanente, e ainda assim se construiu uma pressão política e simbólica por um tratamento mais brando”, afirmou.

Lindbergh comparou a situação do ex-presidente com a realidade de milhares de presos no país. “Enquanto isso, milhares de presos idosos e doentes seguem amontoados em celas superlotadas, sem assistência adequada, sem comoção pública e sem a mesma velocidade de resposta judicial”, disse.

O deputado também criticou o histórico de posicionamentos da família Bolsonaro em relação ao sistema prisional. “A família Bolsonaro sempre defendeu crueldade penal para os de baixo, sempre estimulou a lógica de que preso pobre tem de apodrecer na cadeia e agora faz um verdadeiro carnaval quando a pena alcança um dos seus”, declarou.

Ao concluir sua análise, Lindbergh classificou o caso como um exemplo de desigualdade no tratamento judicial entre diferentes grupos sociais. “Essa é a justiça de classe em estado puro. No Brasil, a prisão pesa com toda a sua brutalidade sobre pobres, negros e periféricos, mas encontra suavizações, cautelas e excepcionalidades quando chega aos poderosos”, afirmou.

Ele ainda questionou se a decisão abrirá precedentes para outros detentos em situação semelhante. “E agora, os presos com mais de 70 anos, os doentes e os vulneráveis das penitenciárias brasileiras também terão direito à prisão domiciliar? Porque a mensagem que fica, se nada mudar, é de cadeia para os pobres e impunidade para os ricos”, completou.

O petista ainda diz que a decisão do ministro deixa uma mensagem: “Cadeia para os pobres e impunidade para os ricos”.

Leia a manifestação do deputado na íntegra:
Acabou de sair a decisão do ministro Alexandre de Moraes que concedeu, por prazo inicial de 90 dias, a prisão domiciliar a Jair Bolsonaro, após parecer favorável da PGR. A condenação de Bolsonaro e dos militares golpistas marcou a história do país e precisa ser afirmada como resposta grave a quem tentou destruir a democracia. Mas a forma de execução da pena também revela muito sobre a estrutura de poder no Brasil.

O ponto que esse caso escancara é o funcionamento seletivo do sistema penal. Bolsonaro já estava numa unidade com espaço amplo e atendimento médico permanente, e ainda assim se construiu uma pressão política e simbólica por um tratamento mais brando.

Enquanto isso, milhares de presos idosos e doentes seguem amontoados em celas superlotadas, sem assistência adequada, sem comoção pública e sem a mesma velocidade de resposta judicial. A família Bolsonaro sempre defendeu crueldade penal para os de baixo, sempre estimulou a lógica de que preso pobre tem de apodrecer na cadeia e agora faz um verdadeiro carnaval quando a pena alcança um dos seus.

Essa é a justiça de classe em estado puro. No Brasil, a prisão pesa com toda a sua brutalidade sobre pobres, negros e periféricos, mas encontra suavizações, cautelas e excepcionalidades quando chega aos poderosos. E agora, os presos com mais de 70 anos, os doentes e os vulneráveis das penitenciárias brasileiras também terão direito à prisão domiciliar? Porque a mensagem que fica, se nada mudar, é de cadeia para os pobres e impunidade para os ricos.


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