Nikolas Ferreira distorceu sermão de Padre Flávio Ferreira, que o criticou por votar contra o Gás do Povo, e incitou ataques ao sacerdote, que foi repreendido pela Diocese.
Segunda-feira, (09) de fevereiro de 2026
Dias após ter sua marcha pró Jair Bolsonaro (PL) criticada pelo prefeito de Igreja do Santuário Nacional, o padre Ferdinando Mancílio, Nikolas Ferreira (PL-MG) foi exposto durante sermão por outro sacerdote. Em homilia neste domingo (8) na Paróquia Santa Efigênia, em Caratinga (MG), o padre Flávio Ferreira Alves criticou o deputado bolsonarista por votar contra o programa Gás do Povo.
“Tem gente, católico, concordando com o Nikolas. Vou falar uma coisa grave, se você concorda com o Nikolas, que não quer dar botijão de gás para o pobre, por favor, saia da igreja agora. Você não merece receber a eucaristia”, disse o padre, que não negou o sacramento para ninguém.
No entanto, Nikolas, como sempre, distorceu as palavras do padre para atacá-lo nas redes.
“Esse é disparado um dos vídeos mais bizarros que eu já vi. Porque claro, eu já vi pessoas usando né do altar para poder criticar político ou políticas, seja de direita ou de esquerda, padres e pastores. Mas o que este padre fez aqui em Minas Gerais, foi algo muito além disso. Ele condicionou a eucaristia, que dentro da igreja católica, né, o maior sacramento, o momento de maior comunhão com Cristo, ele condicionou isso a me apoiar ou não. Se você não me apoia, então você pode ter comunhão com Cristo”, distorceu o deputado, incitando ataques contra o padre.
Após pressão dos extremistas, apoiadores do deputado, que pediam o afastamento do padre, a Diocese de Caratinga divulgou nota em que “reafirma seu compromisso inabalável com o livre exercício da democracia e com o respeito à pluralidade de opiniões” e repreende Flávio Ferreira.
“Informamos que o padre Flávio Ferreira Alves reconhece que sua fala, proferida em um momento de forte emoção, não condiz com as orientações pastorais da Igreja. O sacerdote expressa seu profundo arrependimento e pede perdão a toda a comunidade e aos fiéis que se sentiram ofendidos ou excluídos por suas palavras”, diz a diocese em nota, ressaltando que a “Eucaristia é o sacramento da unidade e não deve ser utilizada como instrumento de divisão ou segregação”, fazendo eco à Nikolas.
A Diocese ainda afirma que vai “tomar as devidas providências necessárias para que os episódios desta natureza não voltem a ocorrer”, sem mencionar punição ao padre.
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