MÉDICO QUE MATOU DOIS COLEGAS DE PROFISSÃO ERA CAC E JÁ TINHA SIDO PRESO POR RACISMO

Carlos Alberto Azevedo Filho teria assassinado os colegas por disputa em contratos na área de saúde; mulher é suspeita de ter entregado a arma
Segunda-feira, (19) de janeiro de 2026
A Polícia Civil investiga se uma disputa envolvendo contratos na área da saúde motivou o assassinato dos médicos Luís Roberto Pellegrini Gomes, de 43 anos, e Vinicius dos Santos Oliveira, de 35 anos, ocorrido em um restaurante de Alphaville, em Barueri, na Grande São Paulo. O autor dos disparos, segundo a polícia, é o também médico Carlos Alberto Azevedo Filho, de 44 anos, preso em flagrante e que teve a prisão convertida em preventiva após audiência de custódia.

De acordo com o delegado Andreas Schiffmann, responsável pelo caso, Carlos Alberto e Luís Roberto eram proprietários de empresas que atuam no setor de gestão hospitalar e mantinham desentendimentos antigos relacionados a contratos de licitação. Vinicius, uma das vítimas, trabalhava como funcionário de Luís Roberto.
“Eles já vinham se desentendendo há algum tempo. São donos de empresas do ramo da saúde e os conflitos giravam em torno de contratos. Isso foi se agravando até resultar na briga no restaurante”, afirmou o delegado em entrevista à TV Globo. Familiares relataram à polícia que a relação entre as partes era marcada por rixa e ameaças mútuas.

Segundo a investigação, no momento inicial do episódio, um dos envolvidos já estava no restaurante, enquanto os outros dois chegaram depois e aguardavam em mesas próximas. Carlos Alberto, que estava acompanhado de três ou quatro amigos, levantou-se de onde estava e foi até as vítimas para conversar. A discussão se intensificou, levando clientes e funcionários a acionarem a Guarda Civil Municipal por suspeita de que havia uma pessoa armada no local.

Arma em maleta
Os guardas realizaram revistas pessoais, mas não encontraram nenhuma arma naquele momento. Após conseguirem conter parcialmente os ânimos, pediram que os envolvidos deixassem o estabelecimento. Minutos depois, porém, Carlos Alberto teve acesso a uma maleta onde estava a arma e passou a atirar contra as vítimas já do lado de fora do restaurante.

“A ação foi extremamente rápida. Do início dos disparos até a rendição foram cerca de 15 a 20 segundos. Ele praticamente descarregou a arma”, relatou Schiffmann.

Imagens de câmeras de segurança registraram a discussão e o ataque. Nos vídeos, é possível ver Carlos se aproximando das vítimas, cumprimentando-as e conversando com Luís Roberto. Em seguida, ocorre uma agressão física e troca de socos, contida por funcionários. Em outra gravação, Luís e Vinicius aparecem deixando o restaurante quando Carlos surge armado e dispara diversas vezes. Guardas civis que estavam no local correram, renderam o suspeito e o algemaram.

Luís Roberto foi atingido por oito tiros e Vinicius por dois. Ambos chegaram a ser socorridos, mas morreram no pronto-socorro. Luís atuava como cardiologista em um hospital municipal de Barueri, enquanto Vinicius trabalhava em unidades de saúde de Cotia.

Mulher suspeita
A polícia apura ainda a possível participação de uma mulher na entrega da maleta com a arma. Segundo o delegado, não está claro se ela buscou o objeto em outro local para repassá-lo ao suspeito. “Essa parte da investigação ainda precisa ser esclarecida com novos depoimentos”, disse.

Carlos Alberto foi encaminhado à cadeia pública de Carapicuíba. A polícia o considera perigoso, destacando que ele já havia sido preso em 2025, em Aracaju (SE), por crimes de agressão e racismo. Apesar de possuir registro de Colecionador, Atirador e Caçador (CAC), ele não tinha porte de arma. Pela legislação, o registro não autoriza o porte para defesa pessoal.

Foram apreendidos a pistola usada no crime, cápsulas deflagradas, uma bolsa, documentos e cerca de R$ 16 mil em dinheiro, que passarão por perícia. A Polícia Civil ainda deve ouvir amigos que acompanhavam o suspeito no restaurante e outras testemunhas para esclarecer todos os detalhes do caso.

Em nota, a Prefeitura de Cotia lamentou a morte de Vinicius dos Santos Oliveira. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, o médico atuava no município desde 2019, com passagens por diversas unidades básicas e pelo hospital de campanha durante a pandemia de Covid-19. “Médico dedicado, reconhecido pelo comprometimento com o serviço público e pelo carinho com os pacientes”, diz o comunicado. Vinicius deixa esposa e um filho de 1 ano e meio.

Veja o vídeo [IMAGENS FORTES]:


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