BRASIL E MAIS CINCO PAÍSES REPUDIAM ATAQUES DOS ESTADOS UNIDOS À VENEZUELA: ‘RESPEITO À SOBERANIA’

Comunicado assinado também por Chile, Colômbia, Espanha, México e Uruguai defende ‘integridade territorial dos Estados, consagrados na Carta da ONU’
Domingo, (04) de janeiro de 2026
Presidentes Orsi, Lula, Boric, Sanchéz e Petro assinaram documento repudiando ataque à Venezuela Ricardo Stuckert / Presidência da República
Brasil, Chile, Colômbia, Espanha, México e Uruguai divulgaram neste domingo (4) uma posição conjunta na qual rejeitam “qualquer tentativa de controle” sobre a Venezuela. A manifestação ocorre após declarações dos Estados Unidos de que teriam assumido o controle do país sul-americano após o sequestro de Nicolás Maduro.

No comunicado, os seis governos expressam preocupação com os impactos das ações de Washington sobre a estabilidade regional, diante dos desdobramentos que culminaram no sequestro de Maduro e ampliaram o clima de incerteza na América do Sul.

O posicionamento conjunto ressalta a oposição a iniciativas externas que busquem impor domínio político ou estratégico sobre a Venezuela, destacando o risco de agravamento de conflitos e de desestabilização em países vizinhos. A reação diplomática sinaliza uma tentativa de preservar o equilíbrio regional em um cenário marcado por tensões crescentes.

No mesmo contexto, Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, afirmou que um de seus principais objetivos é manter o domínio sobre o petróleo venezuelano, país que detém as maiores reservas da commodity no mundo. A declaração reforçou a centralidade dos interesses energéticos na crise e ampliou o debate internacional sobre soberania e ingerência externa na Venezuela.

Leia a íntegra da nota:
Os Governos do Brasil, Chile, Colômbia, México, Uruguai e Espanha, à luz da gravidade dos acontecimentos na Venezuela e reafirmando seu compromisso com os princípios consagrados na Carta das Nações Unidas, expressam conjuntamente as seguintes posições:
  1. Expressamos nossa profunda preocupação e repúdio às ações militares realizadas unilateralmente em território venezuelano, que contrariam princípios fundamentais do direito internacional, em particular a proibição do uso e da ameaça da força, e o respeito à soberania e à integridade territorial dos Estados, consagrados na Carta das Nações Unidas. Essas ações constituem um precedente extremamente perigoso para a paz e a segurança regional e colocam em risco a população civil.
  2. Reiteramos que a situação na Venezuela deve ser resolvida exclusivamente por meios pacíficos, por meio do diálogo, da negociação e do respeito à vontade do povo venezuelano em todas as suas expressões, sem interferência externa e em conformidade com o direito internacional. Reafirmamos que somente um processo político inclusivo, liderado pelos venezuelanos, pode conduzir a uma solução democrática e sustentável que respeite a dignidade humana.
  3. Reafirmamos o caráter da América Latina e do Caribe como uma zona de paz, construída sobre o respeito mútuo, a solução pacífica de controvérsias e a não intervenção, e apelamos à unidade regional, para além das diferenças políticas, face a qualquer ação que ponha em risco a estabilidade regional. Exortamos também o Secretário-Geral das Nações Unidas e os Estados-Membros dos mecanismos multilaterais relevantes a usarem os seus bons ofícios para contribuir para a redução das tensões e a preservação da paz regional.
  4. Expressamos a nossa preocupação relativamente a qualquer tentativa de controlo governamental, administração ou apropriação externa de recursos naturais ou estratégicos, que seja incompatível com o direito internacional e ameace a estabilidade política, económica e social da região.
Amigos da Carta da ONU
Também foi publicada neste domingo a carta do Grupo de Amigos em Defesa da Carta da Organização das Nações Unidas (ONU), que também condena o ataque dos Estados Unidos à Venezuela e o sequestro do presidente Nicolás Maduro e sua esposa, a primeira-dama Cilia Flores.

O grupo é formado pelos seguintes países: integrantes do grupo: Argélia, Angola, Bielorrússia, Camboja, China, Coreia do Norte, Cuba, Guiné Equatorial, Eritreia, Irã, Laos, Nicarágua, Estado da Palestina, Rússia, São Vicente e Granadinas, Zimbábue.


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