Domingo, 30 de junho de 2019
Câmeras de segurança de uma casa na cidade de Juazeiro, norte da Bahia, registraram o momento que um jovem é agredido por dois policiais militares.
O caso aconteceu na madrugada de terça-feira (25), mas só foi divulgado nesta sexta (28). As imagens mostram o rapaz andando em uma calçada, quando é abordado por dois PMs.
Os militares descem da viatura e passam a agredir a vítima. Em seguida, o jovem é colocado dentro do veículo e os policiais saem com o rapaz.
“Eles já chegaram me batendo. O primeiro já me deu um murro no peito. Aí o outro começou a bater do outro lado. Eu fiquei praticamente sem reação”, lembra o jovem.
A vítima, que preferiu não ser identificada, contou detalhes das agressões nesta sexta. As marcas da violência ainda estão pelo corpo e ele diz não conseguir esquecer o que aconteceu.
“Quando os dois estavam comigo, eles me deram muitos murros na nuca, muitos murros na costela. Chutaram meu calcanhar. Meu maio medo foi de morrer”, disse.
A família do rapaz agredido procurou a Delegacia de Juazeiro e prestou queixa contra os dois policiais. O caso será encaminhado para a Corregedoria da Polícia Militar da Bahia.
“Eu estou com medo da polícia e é isso o que revolta a gente. A gente tem medo de quem poderia estar protegendo a gente”, disse a mãe do jovem, que também não quis ser identificada.
A vítima disse ainda que procurou um advogado e vai formalizar uma denúncia ao Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA).
O rapaz não foi a única pessoa agredida por PMs na madrugada do mesmo dia. Dois adolescentes de 13 e 16 anos também relatam agressões.
“Os policiais já chegaram mandando parar. Já foram descendo [da viatura], já batendo na gente”, lembra o adolescente de 13 anos. A jovem de 16 disse ainda que foi agredida na face. “O policial puxou meu cabelo e me deu um tapa no rosto’.
A família dos dois adolescentes procurou o Conselho Tutelar do município e também denunciou o caso na Corregedoria da PM.
“A família procurou o Conselho Tutelar para relatar que esses dois adolescentes sofreram agressão por parte dos policiais e o Conselho Tutelar encaminhou os mesmos para os órgãos competentes, para que as providências sejam tomadas”, disse o coordenador da instituição, Charles Vargas.
A avó dos adolescentes, que também não quis se identificar por medo de represálias, disse que não se conforma com o que aconteceu.
“Choro dia e noite pensando no que meu neto passou. Fiz questão de denunciar porque eu não vou deixar isso quieto. Eu vou até o fim”.
O capitão Sandro Teixeira de Sena, que é subcomandante da companhia onde os policiais trabalham, informou que o caso vai ser investigado.
“Se verificar que eles realmente praticaram alguma conduta ilegal, serão punidos de acordo com o que a lei prevê”, ponderou.
VEJA AO VÍDEO:
Por Joyce Guirra e Priscila Lima, TV Bahia
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