sexta-feira, 6 de novembro de 2026

VEREADOR É ALVO DE BUSCA E APREENSÃO POR SUSPEITA DE ENVOLVIMENTO COM FACÇÃO CRIMINOSA

Sexta-feira, (07) de novembro de 2026
O vereador de Alagoinhas Alexandre Alves da Silva Leite (MDB), conhecido como Xandinho, foi alvo de um mandado de busca e apreensão em sua casa na manhã desta quinta-feira (6).

Conforme apurado pelo BNEWS, a ação faz parte de uma investigação da Polícia Civil da Bahia, que apura um possível ligação entre o parlamentar e uma liderança do Bonde do Maluco (BDM), grupo apontado pelas autoridades como responsável pelo tráfico de drogas em Alagoinhas, no Litoral Norte baiano.

Uma decisão obtida pela reportagem, assinada em 19 de outubro deste ano pela juíza Renata Santos Nadyer Barbosa, da 1ª Vara Criminal da Comarca de Alagoinhas, autorizou o cumprimento dos mandados em endereços ligados aos investigados, incluindo a residência do parlamentar.

A decisão atende a um pedido da Polícia Civil, por meio da 2ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (2ª Coorpin), que solicitou autorização para recolher drogas, armas, munições, celulares, mídias digitais e documentos relacionados à investigação.

Em sua defesa, o vereador afirma que não foram apresentadas provas de prática de ato ilícito e que seu celular foi entregue voluntariamente às autoridades (veja a íntegra da nota no fim da matéria). Procurada pela reportagem, a presidência da Câmara informou que não vai se manifestar sobre o assunto.

Vereador é citado em investigação sobre facção
Segundo a polícia, a investigação teve origem após denúncia anônima recebida por meio do Disque Denúncia em 23 de setembro de 2024. A comunicação apontava a existência de um intenso comércio de drogas na localidade conhecida como Bananal, no bairro Parque Santa Maria.

Segundo o relato, a atividade seria coordenada por um homem conhecido como "Fon", em um terreno murado próximo à Igreja Evangélica Filho de Jerusalém. O espaço teria cerca elétrica e câmeras de monitoramento, além de 'olheiros' que utilizavam radiocomunicadores.

Após diligências, a Polícia Civil identificou "Fon" como Alisson Santos de Jesus, apontado no relatório policial como liderança local da facção criminosa Bonde do Maluco (BDM).

O relatório também identificou envolvimento de Xandinho. Conforme a investigação, o vereador teria proximidade com o líder comunitário investigado e patrocinaria frequentemente eventos musicais com paredões no espaço conhecido como Casa de Eventos MeM, localizado na Rua Elpídio Honorato, no Bananal.

"A denúncia fez menção, ademais, à existência de olheiros munidos de radiocomunicadores e à atuação de apoiadores locais do agente político conhecido como 'Xandinho', inclusive com relatos de ameaças a munícipes e prática de agiotagem", diz trecho da decisão judicial.

"O mesmo relatório confirmou a qualificação de 'Xandinho' como Alexandre Alves da Silva Leite, descrevendo relações de proximidade com o líder comunitário investigado e o patrocínio frequente de eventos musicais", relata a magistrada em outro trecho da decisão.

O que a investigação aponta sobre Xandinho
A decisão judicial menciona a existência de interesses cruzados entre o parlamentar e integrantes do grupo investigado. Os policiais também apontaram o patrocínio de eventos realizados no espaço de festas da localidade como um dos elementos considerados durante a apuração.

A residência do vereador, localizada no Condomínio Viva Alagoinhas, foi incluída entre os endereços para os quais a Polícia Civil solicitou mandado de busca e apreensão.

Na decisão, a magistrada destacou que liberou a ordem após análise individualizada dos elementos reunidos pela polícia, com avaliação da relação entre cada investigado e os imóveis indicados.

Oito pessoas são investigadas
Além de Xandinho e Alisson Santos de Jesus, a investigação identificou outros seis suspeitos: Wellington de Jesus Santos, conhecido como "Louro"; Cintia Souza Silva; Luiz Mendes de Souza, o "Luizinho"; Mauricio Sales de Abreu; Uidinei Souza Guedes, conhecido como "Nei Tabaco"; e Wailson Marcilio Santos Souza.

Segundo o relatório policial, o grupo teria funções específicas na comercialização e distribuição de entorpecentes, além de atuação em ações violentas. As apurações também apontaram que a Casa de Eventos MeM e as imediações seriam utilizadas para a comercialização de drogas e ocultação de dinheiro.

Outro ponto destacado na representação policial envolve o uso frequente de um veículo Fiat Fastback Turbo, de cor prata, pelo suspeito Alisson Santos de Jesus. Segundo a polícia, o automóvel está registrado em nome de Mauricio Sales de Abreu. Ele é descrito no inquérito como tio da companheira de Alisson. Para a Polícia Civil, essa manobra na documentação do carro reforça indícios de ocultação de patrimônio e dissimulação de bens que teriam sido adquiridos com o lucro do narcotráfico.

Os investigados podem responder por tráfico de drogas e associação para o crime

A presidência da Câmara também foi procurada e informou que não vai se manifestar sobre o assunto.

Leia a íntegra da nota da defesa do parlamentar:
"NOTA OFICIAL
O Escritório JOSÉ CASTRO ADVOCACIA ESPECIALIZADA, responsável pela defesa de ALEXANDRE ALVES DA SILVA LEITE, popularmente conhecido como Vereador XANDINHO, vem a público esclarecer que seu constituinte foi surpreendido, na manhã desta quinta-feira (05/11), com o cumprimento de um mandado de busca e apreensão, no âmbito de investigação que tramita sob segredo de justiça.

A defesa ressalta que, até o presente momento, não lhe foi apresentada qualquer prova de prática de ato ilícito pelo vereador, destacando que o cumprimento de mandado judicial não representa comprovação de culpa.

Esclarece, ainda, que o aparelho celular foi entregue voluntariamente às autoridades, demonstrando plena disposição em colaborar com a Justiça.

A defesa repudia a disseminação de notícias falsas e especulações nas redes sociais, advertindo que a divulgação de informações falsas que atinjam a honra e a imagem do vereador poderá configurar ilícitos civis e criminais, sujeitando seus responsáveis às medidas judiciais cabíveis.Por fim, reafirma sua confiança na Justiça, na presunção de inocência e no devido processo legal, certa de que a verdade será esclarecida no momento oportuno."


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