Sexta-feira, (07) de novembro de 2026
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| Santiago Peña. ex presidente do Paraguai. Foto: Paolo Blocco/Getty Images |
A decisão encerra o processo de julgamento político aberto contra Peña em meio à crise provocada pela quebra do Ueno Bank, instituição financeira que entrou em liquidação após apresentar problemas de capacidade de pagamento. O caso deixou milhões de clientes sem acesso aos próprios recursos, provocou protestos no país e ampliou a pressão sobre o governo.
Peña passou a ser alvo de acusações de responsabilidade política pela crise devido à sua ligação empresarial com o grupo controlador do banco. O ex-presidente manteve participação societária na holding ligada à instituição até 2025. Os advogados de defesa do ex-presidente devem contestar o julgamento político na Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), alegando nulidades na condução do processo.
Segundo informações divulgadas pela imprensa paraguaia, o pedido de prisão foi encaminhado ao Comando da Polícia Nacional para cumprimento. A promotoria investiga suspeitas de quebra de confiança e outros possíveis crimes relacionados ao escândalo financeiro. O Banco Central do Paraguai iniciou o processo de liquidação após identificar problemas nas operações de crédito, irregularidades na contabilização de ativos e insuficiência de capital para manter o funcionamento da instituição.
Na quinta-feira (5), Peña apresentou uma carta de renúncia à Presidência. Ele justificou a decisão como uma tentativa de preservar a estabilidade do país e as instituições democráticas. O anúncio, no entanto, não interrompeu o julgamento, que prosseguiu até a votação desta sexta. Com a condenação, Peña perde o mandato e também deixa de ter direito à condição de senador vitalício, prerrogativa que garante imunidade parlamentar a ex-presidentes paraguaios que não tenham sido condenados em julgamento político.
O vice-presidente Pedro Alliana deverá assumir a Presidência e concluir o mandato, previsto para terminar em agosto de 2028. A data da posse ainda precisa ser definida. Do lado de fora do Congresso, na Plaza de Armas, em Assunção, manifestantes comemoraram a decisão.
Acusação aponta documentos oficiais e conflito de interesses
A comissão acusadora, formada por deputados, rebateu os argumentos da defesa. A deputada Rocío Vallejo afirmou que as denúncias estavam fundamentadas em documentos oficiais, e não em notícias ou rumores. Ela também acusou Peña de comprometer a credibilidade do Banco Central ao permitir que interesses financeiros ligados ao seu entorno influenciassem a atuação da instituição.
Outros parlamentares classificaram a crise do Ueno Bank como uma fraude contra o Estado e os clientes do banco. Eles defenderam a destituição do presidente e solicitaram que os documentos reunidos no processo fossem encaminhados ao Ministério Público para subsidiar as investigações criminais. A defesa encerrou sua participação no fim da tarde. Ferreiro voltou a questionar a legalidade do julgamento e afirmou que Peña poderá recorrer à Corte Interamericana de Direitos Humanos, sob a alegação de que as garantias legais do processo foram desrespeitadas.
Paralelamente ao julgamento político, o Ministério Público abriu investigações criminais sobre o caso. As apurações envolvem Peña, o vice-presidente Pedro Alliana e autoridades do Banco Central paraguaio.
