PF PEDE AO STF PARA INVESTIGAR SUSPEITA DE TRÁFICO DE MULHERES PARA EXPLORAÇÃO SEXUAL POR DANIEL VORCARO

Mensagens encontradas no celular do dono do Banco Master indicam suposta atuação em rede internacional de prostituição que movimentou ao menos R$ 4,3 milhões
Sexta-feira, (23) de outubro de 2026
Vorcaro com convidadas em festa em Londres. Foto: reprodução
A Polícia Federal (PF) solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) autorização para investigar suspeitas de tráfico de mulheres para fins de exploração sexual e favorecimento da prostituição envolvendo festas organizadas por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O pedido foi encaminhado na semana passada ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin, após a identificação de mensagens no celular do banqueiro que apontam seu possível envolvimento na administração de uma rede internacional de prostituição.

O material reunido pelos investigadores inclui conversas sobre recrutamento de mulheres estrangeiras, organização de eventos privados e participação de Vorcaro em decisões relacionadas ao funcionamento da suposta rede.

O pedido da PF envolve suspeitas de tráfico de pessoas para exploração sexual e de crimes relacionados ao favorecimento da prostituição. A abertura da investigação poderá permitir o aprofundamento da análise das mensagens e das circunstâncias em que mulheres estrangeiras eram recrutadas e levadas aos eventos promovidos pelo empresário.

De acordo com reportagem do UOL, Vorcaro teria estruturado e financiado, na condição de sócio oculto, uma rede internacional de prostituição a partir de 2023. Os recursos destinados à operação somariam pelo menos R$ 4,3 milhões. O esquema descrito pela publicação contava com intermediários, recrutamento ativo de mulheres de outros países e uma casa noturna localizada em São Paulo.

As mensagens obtidas pela investigação indicam que o banqueiro não se limitava a financiar a operação. Segundo o UOL, ele também selecionava mulheres de diferentes nacionalidades, transmitia orientações sobre o funcionamento do negócio e participava de decisões de contratação. As conversas fazem referência a mulheres russas, ucranianas, venezuelanas, argentinas e polonesas.

A Folha também revelou que Vorcaro promovia festas com a presença de mulheres trazidas do exterior. Entre as nacionalidades identificadas nos encontros estavam russas, ucranianas, lituanas, holandesas, mexicanas e venezuelanas.

Uma das mensagens encontradas no celular do empresário foi enviada à então noiva, Martha Graeff, em 18 de agosto de 2025. Durante uma discussão, ela questionou os contatos mantidos por Vorcaro nas redes sociais com mulheres que considerava prostitutas.

Em resposta, o banqueiro associou os relacionamentos à sua atividade empresarial e afirmou ter realizado eventos com centenas de mulheres. “Fazia parte do meu ‘business’. Nunca te escondi o que fiz, e por que fiz. Fiz festa com 300 desse tipo”, escreveu Vorcaro. Na mensagem, o termo em inglês utilizado pelo empresário significa “negócio”.

A declaração passou a integrar o conjunto de elementos examinados pelas autoridades e reforçou as suspeitas sobre a relação entre os encontros privados e as atividades atribuídas ao empresário.

Segundo outra reportagem da Folha, Vorcaro mantinha uma estrutura específica para organizar essas reuniões, com equipes responsáveis pela logística e pela infraestrutura necessária à realização dos eventos.

As festas ocorriam tanto no Brasil quanto no exterior e eram planejadas, em determinadas ocasiões, para acontecer durante a semana, paralelamente a compromissos oficiais. De acordo com a publicação, a programação levava em consideração a presença de políticos e outras autoridades, que geralmente precisavam retornar às suas cidades e famílias nos fins de semana.

A investigação busca esclarecer a natureza da participação das mulheres nesses encontros e se houve práticas criminosas relacionadas ao recrutamento, ao deslocamento internacional ou à exploração sexual. A presença de mulheres estrangeiras em festas, por si só, não caracteriza tráfico de pessoas, sendo necessária a apuração das circunstâncias e de eventuais situações de exploração.

O pedido encaminhado a Fachin ocorre em meio à crise institucional envolvendo as investigações do Banco Master no Supremo. O presidente da Corte determinou que os inquéritos relacionados ao banco e ao INSS fossem encaminhados ao seu gabinete. Apesar da medida, o ministro André Mendonça permanece como relator dos casos.

A decisão de centralizar o encaminhamento dos procedimentos no gabinete da Presidência do STF colocou Fachin na posição de receber a nova solicitação da Polícia Federal, embora a relatoria das investigações continue sob responsabilidade de Mendonça.

Vorcaro nega ter cometido irregularidades. Em nota divulgada no último dia 13, o empresário rejeitou as acusações relacionadas à exploração de mulheres e contestou a interpretação atribuída às mensagens.

“Nego veementemente que tenha, em algum momento, explorado ou desrespeitado mulheres. Isso não é da minha índole. Na verdade, a falsa narrativa criada é exatamente o oposto do que sou, o que pode ser confirmado por qualquer mulher que me conheceu ou com quem me relacionei”, afirmou.


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