Mensagens encontradas no celular do dono do Banco Master indicam suposta atuação em rede internacional de prostituição que movimentou ao menos R$ 4,3 milhões
Sexta-feira, (23) de outubro de 2026
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| Vorcaro com convidadas em festa em Londres. Foto: reprodução |
O material reunido pelos investigadores inclui conversas sobre recrutamento de mulheres estrangeiras, organização de eventos privados e participação de Vorcaro em decisões relacionadas ao funcionamento da suposta rede.
O pedido da PF envolve suspeitas de tráfico de pessoas para exploração sexual e de crimes relacionados ao favorecimento da prostituição. A abertura da investigação poderá permitir o aprofundamento da análise das mensagens e das circunstâncias em que mulheres estrangeiras eram recrutadas e levadas aos eventos promovidos pelo empresário.
De acordo com reportagem do UOL, Vorcaro teria estruturado e financiado, na condição de sócio oculto, uma rede internacional de prostituição a partir de 2023. Os recursos destinados à operação somariam pelo menos R$ 4,3 milhões. O esquema descrito pela publicação contava com intermediários, recrutamento ativo de mulheres de outros países e uma casa noturna localizada em São Paulo.
As mensagens obtidas pela investigação indicam que o banqueiro não se limitava a financiar a operação. Segundo o UOL, ele também selecionava mulheres de diferentes nacionalidades, transmitia orientações sobre o funcionamento do negócio e participava de decisões de contratação. As conversas fazem referência a mulheres russas, ucranianas, venezuelanas, argentinas e polonesas.
A Folha também revelou que Vorcaro promovia festas com a presença de mulheres trazidas do exterior. Entre as nacionalidades identificadas nos encontros estavam russas, ucranianas, lituanas, holandesas, mexicanas e venezuelanas.
Uma das mensagens encontradas no celular do empresário foi enviada à então noiva, Martha Graeff, em 18 de agosto de 2025. Durante uma discussão, ela questionou os contatos mantidos por Vorcaro nas redes sociais com mulheres que considerava prostitutas.
Em resposta, o banqueiro associou os relacionamentos à sua atividade empresarial e afirmou ter realizado eventos com centenas de mulheres. “Fazia parte do meu ‘business’. Nunca te escondi o que fiz, e por que fiz. Fiz festa com 300 desse tipo”, escreveu Vorcaro. Na mensagem, o termo em inglês utilizado pelo empresário significa “negócio”.
A declaração passou a integrar o conjunto de elementos examinados pelas autoridades e reforçou as suspeitas sobre a relação entre os encontros privados e as atividades atribuídas ao empresário.
Segundo outra reportagem da Folha, Vorcaro mantinha uma estrutura específica para organizar essas reuniões, com equipes responsáveis pela logística e pela infraestrutura necessária à realização dos eventos.
As festas ocorriam tanto no Brasil quanto no exterior e eram planejadas, em determinadas ocasiões, para acontecer durante a semana, paralelamente a compromissos oficiais. De acordo com a publicação, a programação levava em consideração a presença de políticos e outras autoridades, que geralmente precisavam retornar às suas cidades e famílias nos fins de semana.
A investigação busca esclarecer a natureza da participação das mulheres nesses encontros e se houve práticas criminosas relacionadas ao recrutamento, ao deslocamento internacional ou à exploração sexual. A presença de mulheres estrangeiras em festas, por si só, não caracteriza tráfico de pessoas, sendo necessária a apuração das circunstâncias e de eventuais situações de exploração.
O pedido encaminhado a Fachin ocorre em meio à crise institucional envolvendo as investigações do Banco Master no Supremo. O presidente da Corte determinou que os inquéritos relacionados ao banco e ao INSS fossem encaminhados ao seu gabinete. Apesar da medida, o ministro André Mendonça permanece como relator dos casos.
A decisão de centralizar o encaminhamento dos procedimentos no gabinete da Presidência do STF colocou Fachin na posição de receber a nova solicitação da Polícia Federal, embora a relatoria das investigações continue sob responsabilidade de Mendonça.
Vorcaro nega ter cometido irregularidades. Em nota divulgada no último dia 13, o empresário rejeitou as acusações relacionadas à exploração de mulheres e contestou a interpretação atribuída às mensagens.
“Nego veementemente que tenha, em algum momento, explorado ou desrespeitado mulheres. Isso não é da minha índole. Na verdade, a falsa narrativa criada é exatamente o oposto do que sou, o que pode ser confirmado por qualquer mulher que me conheceu ou com quem me relacionei”, afirmou.
