Ministro do STF decidiu incluir colega no inquérito das fake news sob acusação das práticas de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade
Quinta-feira, (03) de setembro de 2026
O ministro do Supremo Tribunal Alexandre de Moraes acusou o colega, André Mendonça, de direcionar investigações contra alvos por "motivos pessoais e políticos". Para basear a sua afirmação, Moraes cita trechos de um relatório da PF que trata sobre atitudes de "assimetria por espectro político" por parte de Mendonça.
Segundo a PF, Mendonça teria adotado critério "distinto" na avaliação de casos envolvendo o candidato ao governo da Bahia ACM Neto (União) e o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
De acordo com a PF, a "situação fática apurada" atribuída aos dois "guarda similaridade relevante", mas Mendonça teria uma percepção diferente "conforme o espectro político da pessoa envolvida nos fatos".
As citações de Moraes foram feitas em uma decisão na qual ele incluiu Mendonça no inquérito das fake news sob o argumento de haver “fortes indícios” das práticas de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade pelo colega.
Na decisão, Moraes ainda determinou o envio de toda a documentação ao presidente do Supremo, Edson Fachin, “para as providências que entender necessárias”. O ministro também retirou o sigilo da decisão e dos documentos e determinou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) seja informada.
PF aponta outros questionamentos sobre Mendonça
Os relatórios encaminhados à Corte também levantam suspeitas sobre outros aspectos da atuação de Mendonça.
Um deles diz respeito à condução de investigações. Segundo a PF, o ministro teria avançado sobre atribuições próprias da Polícia Federal, solicitado acesso antecipado a dados brutos e adotado medidas que poderiam comprometer a cadeia de custódia das provas.
Os investigadores chegaram a afirmar que, em determinadas situações, o resultado prático das decisões teria colocado o próprio julgador em uma posição semelhante à de investigador.
Outro ponto envolve as tratativas de acordos de colaboração premiada nas operações Sem Desconto e Compliance Zero. De acordo com o relatório, Mendonça teria acompanhado discussões sobre negociações e questionado o andamento e o conteúdo apresentado por possíveis colaboradores.
A PF também aponta um suposto direcionamento das investigações. O relatório afirma que Mendonça teria demonstrado interesse em aprofundar apurações contra Moraes e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
No caso de Moraes, os documentos relatam que Mendonça teria solicitado mais de uma vez que sua equipe apresentasse elementos que pudessem permitir a abertura de uma investigação formal contra o colega de Supremo.
Conflito aumenta no caso Banco Master
O episódio ocorre em meio ao agravamento da disputa envolvendo Mendonça, Moraes e a Polícia Federal na investigação sobre o Banco Master.
Mendonça é o relator do procedimento que analisa elementos encontrados no celular do banqueiro Daniel Vorcaro. O material reúne mensagens, encontros e contratos relacionados a integrantes do Supremo, sobretudo Moraes.
Após determinação de Mendonça, a PF produziu um relatório de 218 páginas sobre uma suposta “rede de influência e monitoramento” ligada a Vorcaro. Quase 190 páginas são dedicadas a elementos relacionados a Moraes.
A condução dessa investigação também passou a ser contestada. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou nesta semana que Mendonça teria extrapolado suas atribuições ao determinar o aprofundamento das apurações sobre Moraes e defendeu a nulidade da ordem e dos elementos obtidos a partir dela.
Mendonça, por sua vez, sustenta que os novos elementos relacionados ao caso Banco Master devem ser examinados pelo plenário do STF e defende que o debate ocorra de forma pública e presencial.
Agora, os próprios relatórios internos da Polícia Federal colocam sob escrutínio a atuação do ministro. Moraes encaminhou o material a Fachin para que o presidente do STF adote “as providências que entender necessárias”.
