Sexta-feira, (04) de setembro de 2026
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (4), no Ceará, que o conjunto de obras para ampliar o acesso à água no Nordeste constitui, em sua avaliação, a mais importante iniciativa hídrica em execução no mundo. A declaração foi feita durante visita às obras do Trecho I do Cinturão das Águas do Ceará (CAC), no Cariri.
“Eu posso dizer para vocês que o que nós estamos fazendo de obra hídrica, recuperando açudes, recuperando rios e fazendo com que todas as regiões possam ter acesso à água, eu posso dizer que é a mais importante obra hídrica feita no mundo no dia de hoje”, afirmou Lula.
O presidente acompanhou as frentes de implantação do trecho que parte do Reservatório Jati, conectado ao Eixo Norte do Projeto de Integração do Rio São Francisco, e segue até o Rio Cariús, em Nova Olinda. A estrutura tem 145 km de extensão e atingiu 93,2% de execução.
O projeto deverá ampliar a distribuição das águas do São Francisco pelo Ceará. O Trecho I é destinado ao abastecimento humano e industrial e à irrigação no Cariri, além de contribuir para a segurança hídrica da Região Metropolitana de Fortaleza.
Lula vinculou o investimento em infraestrutura hídrica à redução dos efeitos sociais provocados pelas secas no Nordeste. Segundo ele, a escassez de chuvas é um fenômeno natural, mas não deveria resultar em fome ou falta de água para a população.
“A natureza não trouxe muita chuva para cá. Mas não é porque a natureza não trouxe muita chuva para cá que o povo do Cariri tem que morrer de sede e morrer de fome”, disse.
O presidente afirmou que a incapacidade histórica de garantir água para a população agravou os efeitos das secas sobre os moradores da região.
“O fenômeno da falta d’água é um fenômeno da natureza, mas a fome por causa da falta d’água é um fenômeno da incapacidade de quem governou este país durante muito tempo. Porque a água pode ser resolvida”, declarou.
Lula também lembrou que propostas para levar águas do Rio São Francisco ao semiárido remontam ao século 19. Ao falar sobre sua chegada à Presidência, afirmou que decidiu avançar com o projeto por considerar inaceitável que milhões de pessoas permanecessem expostas à fome e à sede.
“Quando eu assumi a Presidência da República, tomei a decisão de que não era correto que uma parte da sociedade brasileira, que envolvia no mínimo 12 milhões de pessoas, ficasse morrendo de fome e de sede porque não tinha água. Aí tomamos a decisão de trazer água para cá”, afirmou.
O presidente recorreu à própria infância para explicar a importância atribuída à segurança hídrica. Nascido em Pernambuco, Lula deixou o Nordeste aos sete anos com a mãe e os irmãos em direção a São Paulo.
“Eu tinha sete anos de idade quando a minha mãe pegou oito filhos e foi embora para São Paulo para sobreviver à seca”, relatou.
Lula também recordou as dificuldades enfrentadas para conseguir água durante a infância.
“Com sete anos de idade, eu ia ao açude pegar água. Eu não pegava água. Eu pegava água barrenta, com cocô de animal, com xixi de animal. Essa água eu levava para casa, colocava num pote, deixava assentar para a gente pegar com a canequinha e beber”, afirmou.
O presidente disse ainda que sua experiência pessoal influenciou a prioridade dada a políticas voltadas ao Nordeste e citou a expansão de universidades e institutos federais.
“Eu trabalho, sabe para quê? Para que o Nordeste tenha as mesmas condições que o estado mais rico do Brasil. O povo daqui merece estudar, merece trabalhar, merece ter acesso a todas as oportunidades”, declarou.
Lula também disse que pretende retornar ao Ceará para acompanhar a conclusão do Cinturão das Águas e mencionou outras obras de infraestrutura que atravessaram diferentes governos, como a Ferrovia Transnordestina.
“Essas obras aqui, muitas vezes, eram para ter acabado ainda no governo da Dilma. Não acabaram. Como a Transnordestina, que era para ter acabado em 2012. Não acabou. Pois ela vai acabar no nosso governo. Vai ser construída no nosso governo”, disse.
Na parte final do discurso, o presidente separou a agenda institucional do compromisso eleitoral previsto para ocorrer posteriormente em Juazeiro do Norte.
“Eu estou aqui como presidente da República. Eu não estou aqui como candidato, estou aqui como presidente da República. Quando terminar este ato aqui, eu vou entrar no carro. Aí, sim, eu vou ser candidato, fazendo uma passeata lá em Juazeiro”, afirmou.
O ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, acompanhou a visita técnica. A agenda também contou com a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, e o ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães.
