PRESIDENTE LULA CRITICA BANCOS POR DIFICULTAREM CRÉDITO A MOTORISTAS DE APLICATIVO

Presidente questiona burocracia na concessão de financiamentos pelo Move Brasil e cobra que instituições considerem economia obtida por trabalhadores que deixam de alugar veículos
Domingo (09) de agosto de 2026
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou as instituições financeiras por criarem obstáculos para que trabalhadores de aplicativos tenham acesso ao crédito destinado à compra de veículos. A cobrança ocorre no contexto do Move Brasil, programa criado para facilitar o financiamento de automóveis para a categoria.

Segundo informações da Sputnik, Lula afirmou que exigências bancárias e procedimentos de análise de crédito estão dificultando a contratação dos financiamentos. O presidente já cobrou as instituições financeiras sobre o problema e destacou situações em que trabalhadores conseguiram aprovação rapidamente depois que os casos foram discutidos diretamente.

Um dos principais questionamentos de Lula envolve a forma como os bancos calculam a capacidade de pagamento dos motoristas. O presidente argumenta que as instituições deveriam levar em consideração que muitos trabalhadores deixarão de pagar aluguel por um veículo depois de adquirirem um automóvel próprio.

A questão passou a ser acompanhada também pelo ministro Guilherme Boulos, encarregado de reunir trabalhadores que tentaram aderir ao programa, mas não conseguiram financiamento, para identificar os obstáculos enfrentados pela categoria.

Lula questiona critérios dos bancos
A crítica do presidente está centrada na distância entre a finalidade do programa e os critérios utilizados pelas instituições financeiras para conceder o crédito. Embora o Move Brasil tenha sido estruturado para ampliar o acesso dos trabalhadores de aplicativos à compra de veículos, a concessão do financiamento continua dependendo da avaliação realizada pelos bancos.

É justamente nessa etapa que Lula identifica os principais entraves. O presidente já questionou as instituições financeiras sobre a burocracia exigida e os critérios adotados para avaliar os trabalhadores interessados no programa. A preocupação do governo é evitar que um mecanismo criado para facilitar a aquisição de veículos tenha seu alcance reduzido pelas exigências impostas na ponta do sistema financeiro.

Aluguel de veículo entra no debate
Um dos argumentos apresentados por Lula diz respeito aos motoristas que atualmente precisam alugar um automóvel para trabalhar. Para o presidente, os bancos deveriam considerar na análise financeira que o trabalhador que consegue comprar seu próprio veículo deixa de arcar com o custo do aluguel.

Isso significa que uma despesa já existente poderia ser substituída pela prestação do financiamento. Lula questiona avaliações bancárias que não levam adequadamente em consideração essa mudança na estrutura de gastos do motorista. O tema é particularmente relevante porque o veículo funciona como instrumento de trabalho para motoristas de aplicativos. A aquisição do automóvel próprio pode substituir um custo recorrente associado ao aluguel necessário para exercer a atividade.

A crítica do presidente é que a capacidade de pagamento precisa ser analisada levando em conta essa realidade econômica.

Boulos vai ouvir trabalhadores
Diante das dificuldades relatadas, Guilherme Boulos recebeu a tarefa de ouvir diretamente motoristas que tentaram obter financiamento por meio do Move Brasil, mas tiveram seus pedidos recusados. A iniciativa busca identificar quais exigências estão impedindo os trabalhadores de acessar o crédito.

A partir dos casos concretos, o governo pretende compreender onde estão os principais gargalos na operação do programa e quais obstáculos aparecem com maior frequência nas análises realizadas pelas instituições financeiras. A estratégia também permite comparar as regras previstas pelo programa com a experiência dos trabalhadores no momento em que solicitam o financiamento.

Lula já relatou situações em que casos de trabalhadores foram discutidos e tiveram aprovação rápida, reforçando sua cobrança para que os procedimentos sejam capazes de atender efetivamente o público para o qual a política foi criada.

Move Brasil financia veículos de até R$ 150 mil
O Move Brasil foi criado para facilitar a aquisição de veículos por trabalhadores de aplicativos. O programa contempla automóveis de até R$ 150 mil e busca ampliar as condições de financiamento para uma categoria que depende diretamente do veículo para gerar renda.

Apesar do apoio governamental, a operação continua submetida à análise de crédito das instituições financeiras participantes. Para ampliar a capacidade do programa e reduzir riscos na concessão dos empréstimos, o governo destinou um reforço de R$ 1 bilhão em garantias. O mecanismo busca criar condições mais favoráveis para a concessão do crédito, sem eliminar a avaliação realizada pelos bancos.

O impasse apontado por Lula está justamente nessa relação: enquanto o governo oferece garantias para facilitar os financiamentos, trabalhadores continuam relatando dificuldades para obter aprovação.

Governo cobra crédito chegando aos trabalhadores
A mobilização do governo busca fazer com que o Move Brasil cumpra sua finalidade de permitir que trabalhadores de aplicativos adquiram seus próprios veículos. Para muitos motoristas que utilizam carros alugados, o financiamento representa a possibilidade de transformar uma despesa recorrente em pagamento pela aquisição de um patrimônio próprio.

A posição defendida por Lula é que essa substituição precisa ser considerada pelos bancos ao avaliar a capacidade financeira dos interessados. Ao encarregar Boulos de ouvir trabalhadores que tiveram o crédito negado, o governo procura mapear as dificuldades concretas e identificar como as exigências das instituições financeiras estão afetando o funcionamento do programa.

A cobrança de Lula aos bancos coloca, assim, o acesso efetivo ao financiamento no centro da discussão sobre o Move Brasil: o governo já destinou R$ 1 bilhão em garantias para sustentar a iniciativa, mas avalia que os critérios utilizados pelas instituições financeiras ainda podem impedir que o crédito chegue aos trabalhadores de aplicativos.


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