Líderes brasileiro e chinês falaram por telefone na noite de domingo. Eles conversaram sobre as tentativas de interferência do governo Trump nas eleições brasileiras e também sobre ampliar suas relações bilaterais.
Segunda-feira (27) de julho de 2026
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| Lula e Xi Jinping em Pequim. (Foto: Ricardo Stuckert/PR) |
Segundo a agência estatal chinesa Xinhua, Xi aproveitou a conversa para manifestar apoio ao Brasil diante de pressões externas. O governante chinês afirmou que seu país está pronto para fortalecer ainda mais a coordenação estratégica bilateral e multilateral com o Brasil, mantendo assim o ímpeto positivo na construção de uma comunidade China-Brasil com um futuro compartilhado.
Xi destacou que, diante de novas circunstâncias e desafios, a China e o Brasil, ambos importantes membros do Sul Global, devem posicionar-se firmemente do lado certo da história, bem como do lado do progresso da civilização, e desempenhar um papel construtivo ainda maior na reforma e no aprimoramento do sistema de governança global, além de defender a equidade e a justiça internacionais.
Na avaliação de Xi, Brasil e China exercem papel relevante entre os países do Sul Global e devem atuar para fortalecer a governança internacional e promover uma ordem mundial mais equilibrada. O presidente chinês declarou ainda que “o país valoriza profundamente o status internacional e a importante influência do Brasil, apoia o país na salvaguarda de sua soberania e independência, opõe-se à interferência externa e contribuirá para a manutenção da paz e da estabilidade regional e global”.
Do lado brasileiro, Lula destacou o avanço da parceria entre os dois países nos últimos anos. Segundo o presidente, a cooperação bilateral vem produzindo resultados positivos em diferentes setores e impulsionando o crescimento das relações comerciais.
Projetos nacionais de desenvolvimento
Em nota, o Palácio do Planalto informou que os dois chefes de Estado avaliaram formas de integrar seus projetos nacionais de desenvolvimento e concordaram em ampliar iniciativas conjuntas em segmentos considerados estratégicos. Entre as prioridades estão inteligência artificial, tecnologia espacial, processamento de minerais críticos e o comércio de fertilizantes.
Embora houvesse expectativa de que o telefonema tratasse das tarifas anunciadas pelo governo do presidente Donald Trump contra produtos brasileiros e de outros parceiros comerciais, o comunicado oficial divulgado pelo governo brasileiro não faz qualquer referência ao assunto.
Ainda durante a conversa, Lula reiterou que o Brasil continuará investindo na diversificação de seus mercados externos e de seus parceiros comerciais. Os presidentes também defenderam maior rapidez nas negociações de um acordo entre Mercosul e China, respeitando as necessidades e flexibilidades de cada parte.
A situação internacional também ocupou parte da conversa. Os dois líderes demonstraram preocupação com o aumento dos conflitos armados e alertaram para seus impactos sobre o abastecimento de alimentos, a segurança energética e a estabilidade econômica mundial. Eles lamentaram ainda o elevado número de vítimas e os danos provocados pelas guerras.
Em relação ao Oriente Médio, Lula e Xi apontaram que as restrições à navegação nos estreitos de Ormuz e Bab el-Mandeb afetam o comércio internacional e agravam os desafios da economia global. Ambos também manifestaram preocupação com a crise humanitária na Faixa de Gaza.
Conflito na Ucrânia
Sobre a guerra na Ucrânia, os dois presidentes defenderam o fortalecimento do Grupo de Amigos da Paz, iniciativa lançada por Brasil e China na Organização das Nações Unidas (ONU) em setembro de 2024 para estimular uma solução negociada para o conflito.
O comunicado também registra críticas dos dois governos ao desempenho do Conselho de Segurança da ONU diante das crises internacionais. Segundo a avaliação compartilhada por Lula e Xi, o próximo secretário-geral da organização encontrará um cenário global marcado por desafios crescentes.
Ao encerrar a conversa, os presidentes reafirmaram o compromisso com o multilateralismo e decidiram manter uma coordenação estreita em organismos internacionais, como a ONU e o Brics.
O diálogo ocorre em um momento em que Lula intensifica a defesa da ampliação das relações comerciais do Brasil com novos parceiros. Também neste domingo, em artigo publicado no The Washington Post, o presidente classificou como um “erro estratégico” as tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e afirmou que o país buscará novos mercados, investimentos e oportunidades de cooperação internacional.
