Empresários aliados de Bruno e Neto já compraram vários terrenos vendidos pela Prefeitura
Quinta-feira (23) de julho de 2026
O Ministério Público da Bahia ampliou a investigação sobre o contrato de R$ 2,6 bilhões do aterro sanitário de Salvador, administrado pela Battre. Segundo reportagem publicada pela Veja Negócios nesta quarta-feira (22), o órgão passou a apurar possíveis irregularidades ambientais na operação e expansão do aterro, além de uma eventual omissão da Prefeitura na fiscalização.
A nova frente ocorre em meio à polêmica envolvendo a prorrogação do contrato por mais 20 anos, sem nova licitação. O 22º aditivo prevê reajustes de 72% na tarifa de administração do aterro e de 130% no transporte dos resíduos, segundo a Associação Nacional de Municípios e Meio Ambiente (Anamma), que questiona o acordo na Justiça.
Em junho, a 7ª Vara da Fazenda Pública havia suspendido novos pagamentos diante de dúvidas sobre a vantagem econômica do aditivo e questões ambientais. A Prefeitura recorreu e conseguiu no Tribunal de Justiça da Bahia restabelecer os efeitos financeiros da prorrogação. Agora, o MP-BA também investiga a atuação do município na fiscalização do aterro.
Outro ponto de divergência é a capacidade restante do equipamento. A Anamma afirma que o aterro teria apenas mais três anos de vida útil, enquanto a Prefeitura estima que ele possa operar por outros 16 anos.
| Battre, do grupo Solví (Battre/Divulgação) |
Procuradas pela Veja, Prefeitura de Salvador e Battre não responderam até a publicação da reportagem.
Empresários compraram vários terrenos vendidos pela Prefeitura
Pelo menos três áreas verdes localizadas na Barra, Imbuí e Patamares estão sendo vendidas pela Prefeitura de Salvador, sob gestão de Bruno Reis, e têm provocado polêmica, com repercussão nacional e mobilização de artistas. O que muita gente não sabe é que grande parte das áreas comercializadas durante as gestões de Bruno Reis e de seu antecessor, ACM Neto, acabou na mão de empresários próximos ao grupo político que comanda a cidade.
Nos últimos dez anos, o empresário João Gualberto (PSDB), dono da rede de supermercados Hiperideal e ex-prefeito de Mata de São João, foi o maior comprador desses imóveis. Ele adquiriu nove dos 39 terrenos leiloados pela Prefeitura desde 2014, num total superior a R$ 34 milhões. As compras foram feitas por meio da Atual Participações, empresa de sua família, e também em parceria com a 4 Estações Empreendimentos.
Entre os imóveis comprados por Gualberto estão terrenos no Itaigara, arrematado por R$ 21 milhões em 2017, e outro de 10 mil m² em Piatã, por R$ 9,5 milhões em 2019. Em 2021, ele adquiriu seis terrenos no Caminho das Árvores, somando 2,2 mil m², por R$ 3,6 milhões. Todos foram utilizados para expandir a rede Hiperideal. À época, o empresário afirmou que todas as aquisições ocorreram dentro da legalidade, por meio de licitações, e negou favorecimento político.
Outro empresário beneficiado foi Teobaldo Costa, dono da rede Atakarejo e filiado ao União Brasil. Ele comprou dois terrenos da Prefeitura, cobrindo apenas o lance mínimo em cada um: R$ 85 mil e R$ 1,3 milhão, por áreas que somam 5 mil metros quadrados.
Fonte: Política Ao Vivo
