POR UNANIMIDADE, STF CONDENA EDUARDO BOLSONARO A 4 ANOS E 2 MESES DE PRISÃO

Suprema Corte e PGR entenderam que há elementos suficientes para comprovar a prática criminosa do ex-deputado
Terça-feira, (16) de junho de 2026
Eduardo Bolsonaro, o Jair Bolsonaro e o presidente americano, Donald Trump - Foto: Instagram
Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria nesta terça-feira (16) para condenar o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL) por tentativa de interferir no curso do processo sobre a tentativa de golpe de Estado, no qual seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, era um dos réus.

O primeiro a votar foi o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, que destacou o fato de que nenhum parlamentar, mesmo que esteja de licença, pode usar o cargo para conspirar contra o próprio país. Durante sua fala, Moraes exibiu uma série de vídeos em que Eduardo Bolsonaro usa a figura de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, para ameaçar autoridades brasileiras.

Dessa maneira, Moraes seguiu o entendimento da Procuradoria-Geral da República (PGR) e afirmou que há elementos em abundância que comprovam que Eduardo Bolsonaro praticou o crime de coação no curso do processo, cujo objetivo era beneficiar seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que foi julgado e condenado na ação da trama golpista.

Cabe lembrar que, à época, Donald Trump chegou a publicar uma carta em que pedia que o processo contra Jair Bolsonaro fosse paralisado e que o ex-presidente fosse liberado. A Corte brasileira seguiu seu trabalho, e a diplomacia brasileira entrou em campo, o que resultou em um entendimento entre Brasil e Estados Unidos.

Mesmo com acordos entre Brasil e Estados Unidos, ficou claro para a PGR e para o STF que Eduardo Bolsonaro viajou aos Estados Unidos com o objetivo de instar as autoridades estadunidenses a intervir na Justiça brasileira em favor de seu pai, o que não deu certo.

Os ministros Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino – presidente da Primeira Turma – seguiram a relatoria de Alexandre de Moraes.

Com isso, Eduardo Bolsonaro foi condenado a quatro anos e dois meses de prisão, em regime inicial semiaberto. Com a decisão, ele também ficará inelegível por 12 anos, o que o impede de disputar eleições até 2038.

Além da pena de prisão, Eduardo Bolsonaro terá de pagar multa de R$ 162 mil, correspondente a 50 dias-multa. Cada dia-multa foi fixado no valor equivalente a dois salários mínimos.
PGR vê ataque à Justiça e pede condenação de Eduardo Bolsonaro

A Procuradoria-Geral da República (PGR) defendeu nesta terça-feira (16), durante julgamento na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), a condenação do deputado cassado Eduardo Bolsonaro pelo crime de coação no curso do processo.

A manifestação foi apresentada pelo subprocurador-geral da República Antônio Edílio Magalhães, que sustentou que Eduardo atuou para tentar interferir no andamento da ação penal sobre a tentativa de golpe de Estado em 2022.

Para embasar o pedido de condenação, Magalhães citou publicações feitas por Eduardo Bolsonaro e mensagens trocadas entre ele e seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo o representante da PGR, o conjunto de provas demonstra que houve tentativa de pressão contra a Justiça brasileira.

“Essa é uma situação relativamente simples do ponto de vista penal. Há todo um elemento, um contexto fático e conjunto de provas evidenciando que essa coação efetivamente existiu”, afirmou o subprocurador-geral.

Em outro momento de sua manifestação, Magalhães destacou que o caso não envolve apenas autoridades individualmente consideradas, mas a própria administração da Justiça.

“Então, quem é vítima dentro desses fatos é a Justiça, porque o crime é contra a administração da Justiça, embora se fale em autoridades”, declarou.

Julgamento
Eduardo Bolsonaro é julgado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal. O relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, já apresentou seu relatório. Em seguida, a defesa do deputado cassado passou a se manifestar.

Após a sustentação da defesa, os ministros devem iniciar a votação. Alexandre de Moraes será o primeiro a votar, seguido por Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino, presidente da Primeira Turma.

Em maio, Eduardo Bolsonaro foi acusado pela PGR de atuar junto ao governo de Donald Trump, nos Estados Unidos, para criar um ambiente de instabilidade e intimidação, com ameaças e articulações voltadas a projetar retaliações estrangeiras contra ministros do Supremo Tribunal Federal e contra o Brasil.


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