Quinta-feira, (04) de junho de 2026
Flávio Bolsonaro nunca foi condenado e por isso mesmo, por ser impune, está aí articulando a sabotagem americana contra o Brasil. Sergio Moro nunca sofreu condenação por desmandos cometidos em Curitiba. Ciro Nogueira escapou de todas as acusações de envolvimento com corrupção.
Aécio Neves, o mais veterano dos impunes, andou perto da cadeia, mas foi poupado pelo Supremo, que tratou a velha direita emplumada a pão de ló. Valdemar Costa Neto já foi condenado por corrupção, chegou a ser preso, mas um ano depois recebeu um inacreditável indulto de Natal de presente do Supremo.
Os das antigas e das novas direitas enquadrados e alcançados pela Justiça são as exceções, como os golpistas da turma de Bolsonaro, mais Deltan Dallagnol por crime eleitoral e Carla Zambelli, o único nome de peso do bolsonarismo a sofrer condenação na área criminal, por ter mandado invadir o sistema de informática do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e perseguido, com arma em punho, o jornalista Luan Araujo em 2022.
Estão impunes todos os vampiros da pandemia, que propagandeavam a cloroquina enquanto compravam vacina que não existia, os financiadores das estruturas do golpe, incluindo o gabinete do ódio, e os empresários planejadores, executores e também financiadores dos bloqueios de estradas depois da eleição de Lula.
Graúdos mesmo, entre os julgados e condenados, só Bolsonaro e seus generais fracassados. É possível fazer uma lista com mais de 100 nomes sob investigação ou que respondem a processos, alguns há mais de sete anos, como os do inquérito das fake news. Mas os impunes com a grife mais reluzente e poderosa são os filhos de Bolsonaro.
Podem listar Davi Alcolumbre, Hugo Motta, Bia Kicis, Osmar Terra, Frederick Wassef, Silas Malafaia, Fabio Wajngarten, Nikolas Ferreira, Gustavo Gayer, Allan dos Santos, Fabricio Queiroz, Ricardo Salles, Abraham Weintraub, Meyer Nigri, Paulo Figueiredo, o véio da Havan, Marco Feliciano, Léo Índio, Marcelo Câmara, Carlos Wizard, Eduardo Pazuello.
Não há quem consiga dizer com certeza, de memória, quais deles tiveram algum tipo de condenação, sabendo-se que todos foram em algum momento investigados. Mas sabemos, com certeza absoluta, que Flávio, Eduardo, Carluxo e Jair Renan nunca foram condenados.
Os irmãos se envolveram ou ainda se envolvem com o dinheiro sujo de Vorcaro, com rachadinhas, franquias de chocolate para lavagem de caixa dois, com a compra de imóveis com dinheiro vivo, com milicianos e com a conspiração da Casa Branca contra o Brasil. E ainda fazem ameaças contra o Supremo e o sistema de Justiça. Todos estão impunes.
Mais do que estão impunes, todos os Bolsonaros são impunes. A família, com exceção do pai, há muito tempo não é vista na condição transitória de impune. São impunes por incorporarem a qualidade de quem nunca foi condenado. São impunes crônicos, porque o cerco a eles sempre falha. Como nas denúncias que os envolvem nos crimes da pandemia.
Flávio, Eduardo e Carluxo escapam pelas beiradas e, se a extrema direita conseguir eleger o filho ungido, é certo que escaparão por décadas ou para sempre, e aí saindo pela porta da frente. Por isso, devemos prestar atenção à decisão do ministro Flávio Dino, presidente da Primeira Turma do STF, que marcou para 16 de junho o julgamento de ação contra Eduardo.
O filho que fugiu para os Estados Unidos é réu por crime de coação contra o próprio Supremo, por tentar esculhambar, atuando dos Estados Unidos, o julgamento do pai dele em 2025. O ex-deputado ameaçou o STF: ou absolvam papai ou algo grave irá acontecer, com sérias sanções do governo americano.
Eduardo investia contra a Justiça sob a proteção da imunidade parlamentar? Não tinha como induzir o governo americano a interferir no julgamento? Expressava apenas o direito de opinião, ou estava blefando? É toda a argumentação manjada dos golpistas, e mais uma vez o crime é político, e não pelo envolvimento da família com dinheiro mafioso.
Saberemos logo se o filho que mora no Texas sob a proteção de Trump – e que defende a troca do PIX brasileiro por um ‘pix’ americano – será mais um a escapar, como aconteceu com Flávio no caso das rachadinhas. A expectativa é de que não escapará. Mas e depois acontecerá o quê? Eduardo será alcançado no Texas, se hoje ele é quase americano?
Teremos mais uma novela da extradição, que não deu em nada com Allan dos Santos e tampouco com Alexandre Ramagem, porque o governo dos EUA os protege e por isso desprezou os pedidos do Brasil. Ambos são figuras menores. Eduardo é uma figura maior.
O efeito concreto de uma provável condenação vai depender da eleição de outubro no Brasil e da eleição parlamentar do começo de novembro nos Estados Unidos. Eduardo somente irá se complicar se o fascismo for derrotado cá e lá. Uma situação inversa criará um mundo bem confortável para ele e para todos os fascistas impunes.
Acompanhe o Blog do Zé Carlos Borges no Instagram, Facebook e Twitter.
