Líder do governo diz que relação com Augusto Lima se limitou à venda da Cesta do Povo e afirma que origem do Master passa pelo Banco Central de Campos Neto
Quinta-feira, (18) de junho de 2026
Jaques Wagner (PT-BA) afirma que sua relação com Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, se limitou à venda da Cesta do Povo, antiga rede estatal da Bahia. O líder do governo no Senado nega vínculo com as fraudes investigadas no Caso Master e diz que a origem do escândalo está na autorização dada pelo Banco Central, sob Roberto Campos Neto, para Vorcaro assumir o banco.
A explicação virou peça central da disputa política em torno do Master porque Augusto Lima, também conhecido como Guga Lima, aparece nas apurações como ex-sócio de Vorcaro e personagem ligado ao CredCesta. A Fórum já mostrou como a direita tenta usar o escândalo do Master para atingir Lula e nomes do PT, entre eles Wagner e Rui Costa.
Jaques Wagner separa Cesta do Povo das fraudes do Master
A linha de defesa de Wagner é direta: uma coisa foi a venda de um ativo público deficitário da Bahia; outra, segundo ele, são as operações financeiras que levaram o Banco Master ao centro de uma das maiores crises recentes do sistema financeiro.
O senador afirma que Augusto Lima comprou a Cesta do Povo antes de se associar a Daniel Vorcaro. Na versão de Wagner, o governo baiano tratou de uma operação administrativa envolvendo uma rede estadual que dava prejuízo. A trajetória posterior de Lima no mercado financeiro, diz ele, não pode ser usada como prova de ligação do PT com as fraudes atribuídas ao Master.
Wagner sustenta que a “gênese” do Master não está na Bahia. Para ele, o ponto decisivo foi a entrada de Vorcaro no antigo Banco Máxima, depois rebatizado como Banco Master, com aval do Banco Central. A Fórum já publicou que o Caso Master passa pela atuação de Campos Neto, Daniel Vorcaro e o Banco Central.
Augusto Lima é o elo usado contra Wagner
Augusto Lima virou o personagem usado por adversários para tentar aproximar Wagner do Caso Master. Ele foi ex-sócio e ex-CEO do Banco Master e depois assumiu o Banco Pleno, instituição liquidada pelo Banco Central.
A Fórum mostrou que o Banco Pleno, liquidado pelo BC, era dirigido por dois ex-ministros de Bolsonaro. O dado é usado por aliados de Wagner para rebater a tentativa de transformar a venda da Cesta do Povo em elo automático com o escândalo do Master.
Wagner não nega ter conhecido Augusto Lima. O que o senador nega é que esse contato tenha relação com as fraudes investigadas. A alegação dele é que a negociação ocorreu no contexto da venda da rede estadual baiana, antes da fase em que Lima e Vorcaro passaram a aparecer no centro das apurações sobre o banco.
Fórum apontou distorções contra Lula e PT
A tentativa de puxar Wagner, Rui Costa e Lula para o centro do Caso Master ganhou força em reportagens, painéis e análises que colocaram nomes petistas ao lado de Vorcaro e de operadores financeiros. A Fórum mostrou que a GloboNews usou um PowerPoint com graves distorções para atacar Lula e o PT ao colocar o presidente como personagem central de um diagrama sobre o escândalo.
Em outro texto, a Fórum criticou a narrativa de que o Master atingiria “tanto direita quanto esquerda” na mesma proporção. No caso de Wagner, a conexão apresentada era a venda da Cesta do Povo a Augusto Lima, não uma participação comprovada em fraude no banco de Vorcaro. A análise foi publicada em Jornalismo sob medida: Folha diz que Master “atinge tanto direita quanto esquerda”.
A distinção é decisiva. A venda de um ativo público deficitário pode ser explorada politicamente, mas não equivale, por si só, a participação em fraude financeira. Até aqui, o que Wagner admite é o contato institucional com Augusto Lima na Bahia. O que ele nega é qualquer ligação com as operações investigadas no Banco Master.
Wagner cita Flávio Bolsonaro e Campos Neto
A resposta de Wagner também mira a direita. O senador passou a citar a relação de Daniel Vorcaro com Flávio Bolsonaro e a atuação de Roberto Campos Neto no Banco Central para rebater a tentativa de colocar o PT no centro do escândalo.
A Fórum publicou que Flávio Bolsonaro negociou R$ 134 milhões com Daniel Vorcaro, segundo documentos e áudios revelados pelo The Intercept Brasil. Wagner usou o episódio no Senado para apontar a proximidade entre o filho de Jair Bolsonaro e o dono do Master.
Outra frente é a tentativa de ouvir Campos Neto no Congresso. A Fórum mostrou que André Mendonça dispensou Campos Neto, chefe do BC de Bolsonaro, de depor à CPI. O requerimento para ouvir o ex-presidente do Banco Central foi apresentado por Wagner.
O que Wagner admite e o que ele nega
A defesa de Jaques Wagner se apoia em três pontos. Ele admite que participou da negociação da Cesta do Povo com Augusto Lima. Nega que a venda tenha relação com as fraudes investigadas no Banco Master. E afirma que o crescimento do banco de Vorcaro precisa ser explicado pela atuação do Banco Central e pelas relações políticas da direita.
Essa é a base da reação do senador à ofensiva que tenta vincular o PT ao escândalo. Wagner não apaga Augusto Lima da história. Ele tenta delimitar o papel do empresário na Bahia e separar esse episódio da trajetória posterior de Lima ao lado de Vorcaro no sistema financeiro.
O Caso Master segue em disputa política porque envolve Banco Central, crédito consignado, liquidação de instituições financeiras, CPIs e personagens de Brasília. Na versão de Wagner, a investigação envolvendo o ex-sócio de Vorcaro não prova elo do senador com fraude. Mostra apenas que Augusto Lima, antes de entrar no circuito do Master, comprou um ativo do governo baiano.
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