REPASSES DO MAFIOSO DANIEL VORCARO AO FILME DO CRIMINOSO JAIR BOLSONARO SUPERAM ORÇAMENTOS DE "O AGENTE SECRETO" E "AINDA ESTOU AQUI"

Valor de R$ 134 milhões atribuído ao projeto supera com folga filmes como “Ainda Estou Aqui”, “Nosso Lar” e “Tropa de Elite 2”
Quarta-feira, (13) de maio de 2026
O dinheiro atribuído ao financiamento de “Dark Horse”, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro, coloca o filme em um patamar muito acima do padrão das grandes produções brasileiras recentes.

Segundo reportagem do The Intercept Brasil, o senador Flávio Bolsonaro teria tratado com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, um aporte de US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões, para bancar a produção. O Metrópoles também registrou que a cifra colocaria o projeto entre os mais caros já associados ao cinema brasileiro, embora o longa seja tecnicamente uma produção norte-americana.

A comparação ajuda a dimensionar o tamanho do valor. “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, vencedor do Oscar de Melhor Filme Internacional em 2025, teria custado cerca de R$ 45 milhões. Se confirmado o orçamento de R$ 134 milhões, o filme sobre Bolsonaro sairia por quase três vezes esse valor.

O contraste fica ainda maior quando a comparação é feita com “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, apontado com orçamento estimado em R$ 28 milhões. Nesse caso, “Dark Horse” seria cerca de 4,8 vezes mais caro.

Mesmo se considerada apenas a cifra já repassada, o valor segue fora da curva. O publicitário Thiago Miranda, citado no caso, afirmou à coluna de Malu Gaspar que Vorcaro aportou R$ 62 milhões no projeto, antes de suspender os repasses com a crise no Banco Master. Esse montante, sozinho, já seria superior ao orçamento de “Ainda Estou Aqui” em cerca de R$ 17 milhões e mais que o dobro do custo estimado de “O Agente Secreto”.

Outro parâmetro é “Corrida dos Bichos”, projeto de Fernando Meirelles tratado como uma das maiores produções nacionais desde a retomada, com orçamento estimado em US$ 5 milhões, cerca de R$ 25 milhões. Nesse caso, os R$ 134 milhões atribuídos a “Dark Horse” seriam mais de cinco vezes o valor da produção brasileira.

A diferença chama atenção porque o filme sobre Bolsonaro não aparece apenas como uma aposta cinematográfica. Ele entrou no centro de uma crise política após a revelação de mensagens, áudios e documentos sobre a relação entre Flávio e Vorcaro. O senador nega que o banqueiro tenha financiado o longa.

Com estreia prevista para 11 de setembro, “Dark Horse” é estrelado por Jim Caviezel e dirigido por Cyrus Nowrasteh. O filme pretende retratar a trajetória de Jair Bolsonaro e a campanha de 2018.

O caso inclui ainda registros de mensagens e áudios atribuídos ao senador Flávio Bolsonaro, que teriam sido enviados ao banqueiro durante o período de produção do filme. Em um dos áudios citados, Flávio Bolsonaro menciona dificuldades na execução do projeto e cobra continuidade dos pagamentos.

"Tá num momento muito decisivo aqui do filme e como tem muita parcela pra trás, cara, tá todo mundo tenso e eu fico preocupado com o efeito contrário ao que a gente sonhou pro filme", diz o senador, em gravação enviada ao empresário.

Em outra mensagem, enviada na véspera da primeira prisão de Vorcaro, o senador afirma: "Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!". Segundo a apuração, os contatos teriam ocorrido em meio a dificuldades financeiras da produção e à busca por novos aportes para a continuidade das filmagens.

O longa "Dark Horse", dirigido por Cyrus Nowrasteh e estrelado por Jim Caviezel no papel de Jair Bolsonaro, retrata os bastidores da campanha presidencial de 2018. A estreia estava prevista para setembro de 2026. 


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