PRESIDENTE LULA IRÁ DEFENDER ACORDO COM TRUMP PARA ATACAR 'ANDAR DE CIMA' DO CRIME ORGANIZADO

Proposta não cita classificação do PCC e CV como grupos terroristas e nem ideia de receber prisioneiros estrangeiros, como queriam os EUA
Quarta-feira, (06) de maio de 2026
O governo brasileiro apresentou uma proposta de acordo aos EUA para atacar o “andar de cima” do crime organizado, com medidas para sufocar os canais de lavagem de dinheiro e financiamento da cúpula do narcotráfico.

A proposta está na agenda da reunião entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, na quinta-feira (7) em Washington. Mas o Brasil não acredita que o entendimento esteja maduro o suficiente para que um acordo seja anunciado nesta semana.

Além de não estar concluído, o acordo de cooperação e inteligência também precisa passar pelo Departamento de Estado norte-americano. E, para a reunião desta quinta-feira, o chefe da diplomacia dos Estados Unidos, Marco Rubio, não estará. O secretário de Estado já tinha uma viagem programada para visitar o papa Leão 14 no mesmo dia da visita de Lula à Casa Branca.

O presidente Lula embarca no começo da tarde de quarta-feira (6) para os Estados Unidos e a previsão de chegada em Washington na noite de hoje. A viagem aconteceu depois que a Casa Branca entrou em contato com o governo brasileiro e propôs que a reunião acontecesse nesta quinta-feira.

Por esse motivo, o Palácio do Planalto acredita que são reduzidas as chances de que Trump use a visita para humilhar Lula ou criar algum constrangimento, como fez com presidentes de outros países. O brasileiro, porém, foi preparado por seus assessores para qualquer cenário que possa aparecer.

Sem terrorismo
O texto sobre o crime organizado foi enviado pelo Brasil em abril, depois de diversas reuniões entre as agências de ambos os países. O combate ao tráfico de armas também faz parte da iniciativa. O centro do acordo é uma maior cooperação no setor de inteligência.

Mas não há qualquer referência à classificação do PCC e Comando Vermelho como grupos terroristas, como queriam os EUA.

O ICL Notícias revelou, mais cedo, que uma das mensagens que o Brasil levará é a de que “não existem terroristas” no país. Mas que está disposto a fazer uma ampla ação contra o crime organizado, e ao lado dos EUA.

A esperança de Lula é a de ocupar a agenda que, nas últimas semanas, vem sendo dominada pela narrativa do bolsonarismo.

O Brasil havia de fato recebido uma proposta de Trump que citava a possibilidade de que o governo Lula aceitasse receber, em suas prisões, estrangeiros presos nos EUA. O Palácio do Planalto rejeitou qualquer acordo neste sentido.

Ação preventiva para evitar novas tarifas
No comércio, Lula irá mostrar que existe uma assimetria profunda no fluxo de bens entre os dois países, com amplas vantagens para os EUA. A viagem, assim, tem um caráter preventivo.

Sua ideia é a de mostrar dados e fatos para conter duas investigações que existem contra o país e que, se concluídas em julho, podem resultar na volta da imposição de tarifas contra produtos brasileiros.

Mas a ausência de uma ampla delegação do setor privado aponta, segundo observadores, que não haveria ainda espaço para garantir um novo acordo.

Minérios raros: não só extrair
Durante o encontro, o governo brasileiro acredita que Trump irá apresentar demandas sobre terras raras. Mas a expectativa do país é de que a Casa Branca desista da ideia inicial de garantir que o Brasil seja um mero fornecedor de commodities.

O governo espera que a discussão inclua o processamento no Brasil.
Os americanos também indicaram que querem falar da situação das plataformas digitais no país. Trump se queixa de censura. Mas o governo vai explicar que não se trata de limitações à liberdade de expressão e que não há uma vertente de ataques discriminatória contra os EUA.


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