Quinta-feira, (14) de maio de 2026
A Polícia Federal investiga se recursos ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro foram usados para custear despesas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Segundo investigadores ouvidos pelo Blog da Andréia Sadi no g1, uma das linhas de apuração busca esclarecer se os valores enviados tinham como destino oficial a produção de um filme ou se a justificativa teria servido para encobrir outra finalidade.
A investigação tenta esclarecer três pontos centrais: se o dinheiro foi realmente aplicado na produção audiovisual, se houve desvio de finalidade ou se parte dos recursos acabou financiando a permanência de Eduardo no exterior.
Nos bastidores da apuração, investigadores também tentam entender o papel do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas negociações relacionadas aos repasses. Segundo membros da corporação, rastrear o fluxo financeiro passou a ser considerado peça-chave para compreender o alcance político e financeiro das conexões de Vorcaro.
Mensagens divulgadas pelo Intercept Brasil mostraram que Eduardo Bolsonaro atuou como intermediário nas tratativas ao lado do deputado federal Mario Frias (PL-SP), ex-secretário da Cultura do governo Bolsonaro.
Em um dos diálogos, de 22 de outubro de 2025, Vorcaro pergunta a Flávio se ele viajaria para Dubai. O senador respondeu que “achava que o irmão estava indo” e acrescentou: “Tá precisando de algo lá? Peço pra ele te encontrar”.
A hipótese de uso do dinheiro do Banco Master para custear Eduardo Bolsonaro foi citada pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) nas redes sociais. “O filme era um código quando Flávio Bolsonaro falava com ele [Daniel Vorcaro]. O verdadeiro filme era livrar a cara de Jair Bolsonaro fazendo uma campanha contra o Brasil”, afirmou o parlamentar.
Segundo o petista, US$ 2 milhões de Vorcaro foram transferidos para um fundo sediado no Texas que tem Eduardo como advogado. O ex-deputado mora no estado americano e não se pronunciou sobre o assunto.
Rota do dinheiro de Vorcaro no Texas mostra que ele era sugar daddy de Eduardo Bolsonaro
Não é só Flávio: o financiamento por parte de Daniel Vorcaro de 61 milhões de reais para um filme picareta sobre Jair Bolsonaro revela uma engenharia financeira internacional, cujos trilhos levam diretamente à rotina do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro nos EUA.
O senador Flávio Bolsonaro centraliza os holofotes pelas cobranças explícitas gravadas em áudios revelados pelo Intercept, mas é impossível blindar Eduardo neste cenário.
Vorcaro não é um mecenas anônimo da cultura direitista, mas um banqueiro que operava cifras astronômicas cometendo fraudes com dinheiro público.
Ele atuou, ao que tudo indica, como sugar daddy de Eduardo. Não se trata de mera coincidência o fato de o Zero Três ter escolhido justamente o estado do Texas, nos Estados Unidos, para fixar sua residência.
Foi exatamente para lá, especificamente para as contas do Havengate Development Fund LP — um fundo controlado por aliados do ex-deputado —, que os milhões de Vorcaro cruzaram a fronteira, de acordo com o Intercept.
A triangulação operada por Eduardo e pelo deputado Mário Frias na intermediação do longa ganha contornos de lavagem de capitais.
Eduardo Bolsonaro sempre se vendeu como o articulador da direita global, o homem das conexões com Washington, com a Argentina e com a Europa. Agora, descobre-se que a engrenagem que financiava o glamour malcheiroso de astros de Hollywood de segunda linha como Jim Caviezel dependia do bolso profundo de um banqueiro bandido.
Acompanhe o Blog do Zé Carlos Borges no Instagram, Facebook e Twitter.
.jpg)