Sexta-feira, (15) de maio de 2026
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta sexta (15) a abertura de uma investigação para investigar direcionamentos de emendas parlamentares a projetos culturais, entre eles o filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A decisão ocorreu após denúncia apresentada pela deputada Tabata Amaral (PSB-SP) no início deste ano. Segundo a parlamentar, empresas ligadas à produção do longa receberam recursos de emendas parlamentares e posteriormente prestado serviços de marketing eleitoral para deputados do PL.
De acordo com o documento enviado ao STF, diferentes empresas atuariam como uma única estrutura empresarial, compartilhando endereço, infraestrutura e gestão. Tabata afirma que parlamentares do PL destinaram cerca de R$ 2,6 milhões em “emendas pix” a uma dessas empresas e depois contrataram serviços de outras companhias do mesmo grupo.
Entre os nomes citados na denúncia estão Alexandre Ramagem (PL-RJ), Carla Zambelli (PL-SP), Bia Kicis (PL-DF), Marcos Pollon (PL-MS) e Mário Frias (PL-SP). Segundo Tabata, o último parlamentar também fez aportes em outra empresa ligada ao grupo antes de contratar serviços eleitorais relacionados.
O material apresentado pela deputada foi anexado inicialmente ao processo do STF que discute mecanismos de transparência e rastreabilidade das emendas parlamentares. Após receber a denúncia, Dino solicitou manifestações da Câmara dos Deputados e de parlamentares envolvidos no caso.
Segundo a decisão, apenas Mário Frias não havia apresentado resposta até o momento. O deputado federal é produtor do filme “Dark Horse” e ocupou o cargo de secretário especial de Cultura durante o governo Bolsonaro.
A abertura da investigação separada ocorreu após a divulgação de mensagens reveladas pelo site The Intercept envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o empresário Daniel Vorcaro. Os diálogos mostram pedidos de cerca de R$ 130 milhões para financiar a produção cinematográfica.
Depois de negar inicialmente as informações, Flávio admitiu ter solicitado recursos ao dono do Banco Master, mas afirmou que o financiamento era privado. “‘Dark Horse’ é uma superprodução em padrão hollywoodiano, com 100% de capital privado, ator de primeira linha, além de diretor e roteirista de renome internacional”, declarou.
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