ANVISA DETERMINA RECOLHIMENTO E PROIBE FABRICAÇÃO DE DETERGENTES E OUTROS PRODUTOS DA MARCA “YPÊ”; VEJA A LISTA

Bactéria encontrada na Ypê pode atingir pulmões, pele e até a corrente sanguínea; entenda os riscos
Sexta-feira, (08) de maio de 2026
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou, nesta quinta-feira (7), o recolhimento de produtos da marca Ypê, incluindo lava-louças, sabão líquido para roupas e desinfetantes de todos os lotes com numeração final 1. Os itens foram fabricados pela empresa Química Amparo, na unidade localizada em Amparo.

Além do recolhimento, a Anvisa determinou a suspensão da fabricação, comercialização, distribuição e uso dos produtos atingidos pela medida.

Segundo a agência, a decisão foi tomada após uma avaliação técnica de risco sanitário realizada em conjunto com o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS). A análise ocorreu depois de uma inspeção conduzida na última semana em parceria com o Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo (CVS-SP) e a Vigilância Sanitária de Amparo.

Durante a fiscalização, foram identificados descumprimentos considerados relevantes em etapas críticas do processo de produção. Entre os problemas apontados estão falhas nos sistemas de garantia da qualidade, na produção e no controle de qualidade dos produtos.

Boas Práticas de Fabricação
De acordo com a Anvisa, as irregularidades comprometem o cumprimento das Boas Práticas de Fabricação (BPF) para saneantes e representam risco à segurança sanitária, incluindo a possibilidade de contaminação microbiológica, com presença indesejada de microrganismos patogênicos.

A agência afirmou que a medida foi adotada com base no princípio da proteção à saúde da população, por meio da identificação, avaliação e gerenciamento dos riscos sanitários relacionados aos produtos.

A orientação da Anvisa é para que consumidores que possuam em casa produtos dos lotes especificados na Resolução 1.834/2026 interrompam imediatamente o uso e entrem em contato com o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) da empresa para receber orientações sobre o recolhimento.

O órgão também determinou que vigilâncias sanitárias estaduais e municipais intensifiquem a fiscalização para impedir a circulação dos lotes afetados, em articulação com as ações coordenadas pelo SNVS.

A lista completa dos produtos e lotes atingidos pela decisão está disponível na edição desta quinta-feira (7) do Diário Oficial da União (DOU).

Somente os lotes que terminam com o número 1, dos produtos abaixo estão afetados.
  1. LAVA LOUÇAS YPÊ CLEAR CARE
  2. LAVA LOUÇAS COM ENZIMAS ATIVAS YPÊ
  3. LAVA LOUÇAS YPÊ
  4. LAVA LOUÇAS YPÊ CLEAR CARE
  5. LAVA LOUÇAS YPÊ TOQUE SUAVE
  6. LAVA-LOUÇAS CONCENTRADO YPÊ GREEN
  7. LAVA-LOUÇAS YPÊ CLEAR
  8. LAVA-LOUÇAS YPÊ GREEN
  9. LAVA ROUPAS LÍQUIDO TIXAN YPÊ COMBATE MAU ODOR
  10. LAVA ROUPAS LÍQUIDO
  11. TIXAN YPÊ CUIDA DAS ROUPAS
  12. LAVA ROUPAS LÍQUIDO TIXAN YPÊ ANTIBAC
  13. LAVA ROUPAS LÍQUIDO TIXAN YPÊ COCO E BAUNILHA
  14. LAVA ROUPAS LÍQUIDO TIXAN YPÊ GREEN
  15. LAVA ROUPAS LÍQUIDO YPÊ EXPRESS
  16. LAVA ROUPAS LÍQUIDO YPÊ POWER ACT
  17. LAVA ROUPAS LÍQUIDO YPÊ PREMIUM
  18. LAVA ROUPAS TIXAN MACIEZ
  19. LAVA ROUPAS TIXAN PRIMAVERA
  20. DESINFETANTE BAK YPÊ
  21. DESINFETANTE DE USO GERAL ATOL
  22. DESINFETANTE PERFUMADO ATOL
  23. DESINFETANTE PINHO YPE
  24. LAVA ROUPAS TIXAN POWER ACT
Embora a Agência não tenha divulgado nada sobre a presença da bactéria na visita à fábrica feita em abril de 2026, novas irregularidades foram encontradas nos processos de fabricação da Ypê e o histórico de contaminação contribuiu para a decisão de suspender os produtos.

De acordo com a Anvisa, foram identificadas fragilidades no controle microbiológico, na limpeza, na sanitização e na rastreabilidade da produção. Esses pontos podem aumentar riscos de desvios microbiológicos em produtos saneantes.

Pseudomonas aeruginosa: conheça bactéria encontrada nos produtos Ypê em 2025
Segundo informações do Manual MSD, referência em saúde no Brasil, a bactéria Pseudomonas aeruginosa é encontrada no solo, na água e em ambientes úmidos, como pias, sanitários, piscinas mal tratadas e superfícies com pouca higienização. Em algumas situações, ela também pode estar presente no corpo de pessoas saudáveis sem causar sintomas.

Ainda segundo o manual, as infecções causadas pela bactéria variam de quadros leves até doenças graves com risco de morte. Pessoas com imunidade baixa, diabetes, fibrose cística, pacientes hospitalizados ou que utilizam medicamentos imunossupressores costumam ser mais vulneráveis às complicações.

A bactéria pode atingir diferentes partes do corpo. Conforme o manual, ela pode causar infecções nos ouvidos, pele, olhos, pulmões, trato urinário, ossos, articulações, corrente sanguínea e válvulas cardíacas. Em casos externos leves, os sintomas incluem coceira, dor, secreção e irritações na pele.

Uma das infecções mais conhecidas é a chamada “otite do nadador”, que provoca dor e secreção no ouvido após contato com água contaminada. A bactéria também pode causar foliculite, formando pequenas lesões parecidas com espinhas, principalmente após contato prolongado com água de banheiras ou piscinas mal higienizadas.

Quadros mais graves podem envolver pneumonia hospitalar, especialmente em pacientes internados que utilizam respiradores mecânicos. A bactéria também pode provocar infecções severas na corrente sanguínea, aumentando risco de choque infeccioso e morte quando não há tratamento adequado.

As infecções oculares também preocupam. Conforme o manual, a Pseudomonas aeruginosa pode danificar rapidamente a córnea e comprometer permanentemente a visão. Em alguns casos, a contaminação está relacionada ao uso de lentes de contato ou soluções contaminadas.

Algumas cepas da bactéria apresentam resistência a antibióticos, o que dificulta o tratamento. Dependendo da gravidade, o paciente pode precisar de antibióticos intravenosos por semanas e acompanhamento médico intenso.

Anvisa monitorava produtos desde 2025
A fiscalização que levou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a determinar, nesta quinta-feira (7), suspensão da fabricação e recolhimento de produtos da Ypê teve uma motivação extra: o “histórico de contaminação microbiológica” registrado na fábrica da empresa em novembro de 2025, de acordo com a própria agência.

No ano passado, o órgão havia mandado recolher lotes específicos de produtos para lavagem de roupas por contaminação da bactéria Pseudomonas aeruginosa. Os produtos recolhidos, à época, foram lava roupas líquido Ypê Express, lava roupas líquido Tixan Ypê e lava roupas líquido Power Act.

A Anvisa informou que a fiscalização realizada na última semana de abril de 2026 foi efetuada devido a esse histórico, além de novos elementos identificados, que apontaram a necessidade de reavaliar as condições de fabricação.

O caso de novembro de 2025 seguiu em monitoramento sanitário, o que motivou a nova inspeção para avaliar se as Boas Práticas de Fabricação estavam sendo cumpridas e se as medidas tomadas pela empresa eram efetivas.

As descobertas atuais da agência indicam fragilidades no sistema de qualidade, no controle microbiológico, na produção, na limpeza e sanitização e na rastreabilidade. Todos os aspectos estão diretamente ligados à prevenção de desvios microbiológicos.

“Há conexão técnica entre o histórico anterior e a necessidade de aprofundamento da fiscalização, embora a medida atual esteja baseada na avaliação dos achados verificados na inspeção de abril de 2026”, destacou a agência.

Com informações do Ministério da Saúde


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