David Gross diz que o principal obstáculo não é científico, mas sim o tempo limitado que temos diante dos riscos atuais
Sábado, (25) de abril de 2026
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| Imagem ilustrativa da explosão de uma bomba termonuclear - Getty Images |
Segundo Gross, o cenário atual é alarmante. Ao discutir o futuro da ciência — em especial a possibilidade de a física alcançar uma teoria unificada das forças fundamentais nas próximas décadas —, ele levantou uma questão mais ampla sobre a própria sobrevivência humana nesse período. “Atualmente, eu passo parte do meu tempo tentando dizer às pessoas que as chances de vocês viverem mais 50 anos são muito pequenas. Devido ao perigo de uma guerra nuclear, vocês têm cerca de 35 anos”, disse o físico.
A estimativa apresentada por Gross não é baseada em um cálculo preciso, mas em probabilidades associadas a conflitos globais. Ele relembrou que, mesmo após o fim da Guerra Fria, quando tratados de controle de armas estratégicas ainda estavam em vigor, havia estimativas de cerca de 1% de chance anual de uma guerra nuclear. Para o cientista, esse cenário se deteriorou ao longo das últimas décadas.
"É uma estimativa bruta. Mesmo depois do fim da Guerra Fria, quando tínhamos tratados de controle de armas estratégicas — todos os quais desapareceram —, havia estimativas de 1% de chance de guerra nuclear por ano. As coisas pioraram muito nos últimos 30 anos, como você pode ver toda vez que lê o jornal”, diz Gross.
O físico acrescentou que, em sua avaliação atual, esse risco pode estar mais próximo de 2% ao ano.
“Não acho que seja uma estimativa rigorosa. Acho que as chances estão mais próximas de 2%. Isso significa uma chance de 1 em 50 a cada ano. A expectativa de vida, no caso de 2% ao ano, é de cerca de 35 anos.”
Teoria unificada das forças
As declarações surgiram no contexto de uma discussão sobre a chamada teoria unificada das forças, um dos principais objetivos da física teórica contemporânea. Essa teoria busca integrar em um único modelo as quatro forças fundamentais da natureza: gravitacional, eletromagnética, nuclear forte e nuclear fraca, repercute o portal Tilt, do UOL.
De acordo com o CERN, o atual Modelo Padrão da física de partículas já consegue unificar três dessas forças — eletromagnética, forte e fraca —, mas ainda não incorpora a gravidade, que permanece como um dos maiores desafios científicos.
Ao relacionar esse debate científico com o futuro da humanidade, Gross destacou a incerteza sobre se haverá tempo suficiente para alcançar avanços dessa magnitude. A possibilidade de uma catástrofe global, segundo ele, levanta dúvidas sobre a continuidade da civilização em longo prazo.
Embora reconheça que suas estimativas não sejam definitivas, o físico reforçou a gravidade do cenário atual, indicando que riscos globais, especialmente ligados a conflitos nucleares, continuam sendo uma ameaça significativa ao futuro da humanidade.
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| David J. Gross / Crédito: Getty Images |
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