PF INVESTIGA ENTRADA DE MALAS EM VOO COM HUGO MOTTA E CIRO NOGUEIRA EM AVIÃO DE EMPRESÁRIO DE BETS, "DONO DO JOGO DO TIGRINHO"

Caso está no STF sob relatoria de Moraes; PF apura possíveis crimes de facilitação de contrabando e prevaricação
Segunda-feira, (27) de abril de 2026
O presidente da Câmara, Hugo Motta, e o senador Ciro Nogueira. Foto: Divulgalção
A Polícia Federal abriu investigação sobre a entrada no Brasil de cinco malas transportadas em um voo com autoridades políticas em abril de 2024. As bagagens foram liberadas sem passar por inspeção de raio-X no Aeroporto Executivo Internacional Catarina, em São Roque (SP), após autorização de um auditor fiscal.

O caso foi enviado ao Supremo Tribunal Federal e tramita sob sigilo. A viagem teve origem em São Martinho, no Caribe, e foi realizada em um avião particular do empresário Fernando Oliveira Lima, conhecido como Fernandin OIG, dono de empresas de apostas online que disponibilizam jogos como o Fortune Tiger - popularmente conhecido como "jogo do tigrinho".

Entre os passageiros estavam o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e os deputados Dr. Luizinho (PP-RJ) e Isnaldo Bulhões (MDB-AL).

O processo foi encaminhado ao STF após identificação de possíveis envolvidos com foro privilegiado. O ministro Alexandre de Moraes foi sorteado relator e determinou prazo de cinco dias para manifestação da Procuradoria-Geral da República. Antes disso, o caso tramitava na Justiça Federal de Sorocaba.

A investigação apura possíveis crimes como facilitação de contrabando ou descaminho e prevaricação. Segundo a Polícia Federal, o auditor Marco Antônio Canella autorizou que o piloto José Jorge de Oliveira Júnior passasse com cinco volumes sem inspeção, por volta das 21h de 20 de abril de 2024.

Em manifestação, Motta confirmou presença no voo e declarou que, ao desembarcar, “cumpriu todos os protocolos e determinações estabelecidas na legislação aduaneira”.

A assessoria informou que ele aguardará o posicionamento da Procuradoria. A Receita Federal afirmou que eventuais apurações internas são conduzidas sob sigilo e que não pode confirmar a existência de procedimento específico.

“Quando notificada sobre possíveis desvios funcionais, a Receita Federal instaura, através de sua corregedoria, procedimentos administrativos disciplinares para a apuração dos fatos. Para garantir os direitos constitucionais de ampla defesa e contraditório aos envolvidos, as investigações transcorrem em sigilo até sua conclusão”, informou o órgão.

O Ministério Público Federal solicitou o envio do caso ao STF diante da possibilidade de envolvimento de autoridades com prerrogativa de foro.

“Diante do que a autoridade policial, considerando a possibilidade de a continuidade das investigações revelar o envolvimento dos passageiros que possuem foro privilegiado no delito sob apuração ou em outras práticas delitivas, remeteu os autos ao Parquet Federal [o MPF] para que verifique se é caso de declínio de atribuição”, diz trecho do documento.

A investigação também considera o contexto da viagem, já que São Martinho é apontada como paraíso fiscal e destino associado a atividades de entretenimento como cassinos.


Sabia que o Blog do Zé Carlos Borges está também no Telegram? Inscreva-se no canal.

➤ Leia também


Zé Carlos Borges

Seu maior portal de notícias agora com uma nova cara, para satisfazer ainda mais seu interesse pela informação.

Nenhum comentário:

Postar um comentário