Sábado, (18) de abril de 2026
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| Lula discursa no encerramento da Mobilização Progressista Global |
Durante dois dias, que incluíram uma cúpula bilateral Espanha-Brasil, líderes de esquerda e centro-esquerda reativaram um polo que aspira a ser uma oposição ao que Sánchez tem denominado “internacional do ódio”.
Lula foi o destaque do encerramento da Mobilização Progressista Global. Defendeu um mundo baseado em regras num plenário lotado. “O projeto neoliberal prometeu prosperidade e entregou fome, desigualdade e insegurança, criou crise após crise”, disse ele, que instou o progressismo a ser coerente e a cumprir, nos governos, o que promete antes das eleições. “Ninguém ganha de mim na mentira. A minha arma é o argumento, a minha arma é a razão”.
“O tempo da internacional ultradireitista e da direita lacaia chegou ao fim”, declarou Sánchez. O líder espanhol, alvo de ataques frequentes de Trump nas redes, defendeu uma aliança “pacifista, ecologista, sindicalista e feminista.
Entre os temas econômicos, destacou-se a demanda por um imposto especial sobre os “ultra-ricos” e a urgência da transição energética. A necessidade de impor regras aos gigantes tecnológicos também foi amplamente discutida, especialmente em relação à propaganda extremista nas redes sociais. A preocupação no Brasil com a ofensiva de Trump contra o Pix foi citada.
Lula também alertou sobre as táticas da extrema direita. “A extrema direita soube aproveitar o mal-estar da população criando mentiras. Contra as mulheres, contra os negros, contra as pessoas LGTBIQIA+”, afirmou o presidente. Elogiou Sánchez pela “coragem de não permitir que os aviões de guerra dos EUA saíssem daqui para bombardear o Irã”.
“O Sul Global paga a conta de guerras que não provocou e de mudanças climáticas que não causou. É tratado como quintal das grandes potências, sufocado por tarifas abusivas e dívidas impagáveis. Volta a ser visto como mero fornecedor de matérias-primas. Ser progressista na arena internacional é defender um multilateralismo reformado, defender que a paz faça prevalência sobre a força, é combate a fome e proteger o meio ambiente, é restituir a credibilidade da ONU, que foi corroída pela irresponsabilidade dos membros permanentes”, disse.
Multilateralismo, rejeição ao genocídio em Gaza e à guerra no Irã, legalidade internacional e reforma dos mecanismos de governança mundial, como a ONU, foram alguns dos eixos de consenso entre os participantes das cúpulas.
Lula, assim como Claudia Sheinbaum (que alertou contra uma incursão militar americana em Cuba) e o sul-africano Ramaphosa (que pediu a reforma da ONU) chamaram atenção para os riscos de intervenção direta dos EUA.
O evento contou com a presença de presidentes e primeiros-ministros de países como México, Colômbia, Uruguai, África do Sul, Irlanda, Lituânia, Albânia, Cabo Verde e Barbados, além de vice-presidentes da Alemanha, Reino Unido, Áustria, Gana e Botsuana. Figuras da oposição a Trump nos EUA, como o governador de Minnesota, Tim Walz, também estiveram presentes, e Bernie Sanders e o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, enviaram vídeos, além de Hillary Clinton.
O DCM cobriu o evento com correspondente na Europa, a leoa Sara Vivacqua.
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