VEJA O ROTEIRO DO CONLUIO DO BOLSONARISMO COM OS CRIMES DE DANIEL VORCARO DONO DO BANCO MASTER

O banqueiro esteve 24 vezes no BC de Roberto Campos Neto, revela levantamento obtidos via Lei de Acesso à Informação mostram frequência do controlador do Banco Master na autoridade monetária.
Terça-feira, (10) de março de 2026
Registros administrativos do Banco Central obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) mostram que o banqueiro Daniel Vorcaro esteve 24 vezes na sede da instituição durante a gestão de Roberto Campos Neto. Os dados abrangem o período entre fevereiro de 2019, quando Campos Neto assumiu a presidência do Banco Central, e dezembro de 2024, quando terminou seu mandato à frente da autoridade monetária.

As informações constam em planilhas de controle de acesso ao prédio do Banco Central, que registram horários de entrada e saída de visitantes. Os registros permitem identificar tanto a frequência das visitas quanto o tempo de permanência do banqueiro dentro da instituição. O levantamento ocorre em meio às investigações envolvendo o Banco Master e seu controlador. O banco e executivos ligados ao grupo são alvo da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal, que apura suspeitas de irregularidades financeiras, lavagem de dinheiro e a atuação de uma estrutura paralela de monitoramento e pressão institucional.

O Banco Master tem origem no antigo Banco Máxima. Em 2019, o controle da instituição foi adquirido por Daniel Vorcaro, operação que marcou a transformação do banco e sua posterior reestruturação sob a marca Banco Master. O mesmo ano em que ocorreu a aquisição do Banco Máxima coincide com o período em que Vorcaro passou a frequentar com maior intensidade o prédio do Banco Central. De acordo com os registros obtidos via LAI, Vorcaro realizou 24 entradas no prédio da autoridade monetária durante a gestão Campos Neto.

Quantidade de visitas por ano2019: 11 visitas
  • 2020: 2 visitas
  • 2021: 0 visitas
  • 2022: 2 visitas
  • 2023: 4 visitas
  • 2024: 5 visitas
A maior concentração ocorreu justamente em 2019, quando Vorcaro esteve 11 vezes no prédio do Banco Central — ano em que ocorreu a aquisição do Banco Máxima e o início da reestruturação que deu origem ao Banco Master. Somando os horários de entrada e saída registrados no sistema de controle de acesso, as visitas totalizam 21 horas, 45 minutos e 1 segundo de permanência dentro da instituição ao longo de todo o período analisado.

Reunião mais longa ocorreu em meio a rumores de mercado
Entre todos os registros, a visita de maior duração ocorreu em 30 de outubro de 2024. Na ocasião, Vorcaro entrou no prédio do Banco Central às 09h54 e saiu às 12h38, permanecendo 2 horas e 44 minutos dentro da instituição.

A reunião ocorreu em um momento de forte turbulência envolvendo o Banco Master. Naquele período, circulavam no mercado financeiro informações de que o BTG Pactual teria suspendido a captação de recursos para títulos do Banco Master.

A informação foi posteriormente desmentida em nota pelo próprio BTG Pactual.

Em seu site, o Banco Master reiterou o esclarecimento divulgado pelo BTG e afirmou que “a disseminação e a propagação de informações falsas configura crime contra o sistema financeiro nacional”. O banco também anunciou que tomaria medidas judiciais contra responsáveis pela divulgação das informações consideradas falsas.

Na ocasião, Vorcaro participou da reunião acompanhado de Augusto Lima. O Banco Central esteve representado pelo diretor de Fiscalização da autarquia, Ailton de Aquino.

Os registros obtidos via LAI indicam apenas os horários de acesso ao prédio do Banco Central e não detalham formalmente o conteúdo das agendas ou as discussões realizadas durante os encontros.

O caso Master ganhou repercussão após o avanço das investigações conduzidas pela Polícia Federal e o envio de documentos e dados à CPMI do INSS, que também passou a examinar conexões entre operadores financeiros, estruturas digitais e suspeitas de movimentações financeiras irregulares associadas ao grupo.

Documentos obtidos nas investigações indicam que o grupo ligado ao banco também é suspeito de operar estruturas de monitoramento clandestino e de influência digital utilizadas para pressionar jornalistas, autoridades e instituições.

As visitas registradas no Banco Central ocorreram ao longo de diferentes fases da trajetória do Banco Master no sistema financeiro, incluindo períodos em que a instituição buscava ampliar operações, consolidar sua posição no mercado e responder a questionamentos regulatórios e rumores que circularam no mercado financeiro.

A FARRA DOS CONSIGNADOS
Outros bolsonaristas entraram em cena para ajudar a viabilizar o banco. Paulo Guedes, Onix Lorenzoni e João Roma entraram em cena para ampliar a margem do consignado. Com isso, o Banco Master explodiu em crescimento. Em 2022 eles liberaram o consignado até para quem recebia o auxílio Brasil.

Enquanto o desespero e a dívida do povo batiam recordes os lucros do banco iam às alturas. Tudo isso acobertado pelo Banco Central, dirigido por Roberto Campos Neto, indicado por Bolsonaro para dirigir o órgão responsável por fiscalizar o sistema financeiro.

MINISTRO VIROU DIRETOR DO MASTER
Mais um vínculo do bolsonarismo com Vorcaro. Ronaldo Bento, último ministro da cidadania de Bolsonaro, atuou pela liberação do consignado do Auxílio Brasil e virou diretor do Master. João Roma, ministro de Bolsonaro, foi padrinho de casamento da também ex-ministra Flávia Pires com Augusto Lima, sócio de Vorcaro. Os dois, Vorcaro e Augusto Lima, estão presos. Estava tudo dentro do Palácio do Planalto.

André Valadão, pastor da Igreja da Lagoinha, criador do Banco Clava Forte, estritamente ligado ao Master, decidiu fechar a empresa após o escândalo do INSS. Esta é a mesma igreja frequentada por Nikolas Ferreira e Carlos Viana, presidente da CPI. Viena tem impedido a convocação do bispo Valadão para depor na CPMI.

O banco e os executivos ligados ao grupo foram alvos da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal, que apura irregularidades financeiras, lavagem de dinheiro e a atuação de uma estrutura paralela de monitoramento e pressão institucional. Documentos obtidos nas investigações indicam que o grupo ligado ao banco também operava estruturas de monitoramento clandestino e de influência digital utilizadas para pressionar jornalistas, autoridades e instituições.

MUTIRÃO BOLSONARISTA PARA “SALVAR” O BANCO
Nos últimos dias de vida do banco, vieram à tona interferências de dirigentes bolsonaristas como intuito de salvar o Banco Master. A mais escandalosa foi a compra de uma carteira de títulos podres do banco pelo BRB. A negociata autorizada pelo governador Ibaneis Rocha envolvia a cifra de R$ 12 bilhões. Em seguida, Ibaneis tentou obrigar o BRB a comprar o Master.

Foi nesta operação, bloqueada pelo Banco Central, que o banco acabou sendo liquidado e seu dono preso. Antes descobriu-se também que o governador do Rio, Cláudio Castro, outro bolsonarista, tinha desviado R$ 1 bilhão do fundo de aposentadoria dos servidores do estado para injetar no Banco Master. Além disso, o senador Ciro Nogueira saiu a campo para tentar impedir a liquidação do banco. Articulou um projeto para cassar o diretor do BC que impediu a negociata e apresentou uma emenda defendendo a elevação da garantia dada pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Mensagens obtidas pela PF mostra que o banqueiro festejou a emenda do “amigo”.

Duas expressões do fascismos também surgiram nos últimos dias. O deputado Nikolas Ferreira, histérico defensor do golpismo, foi flagrado viajando de carona no jatinho particular de Daniel Vorcaro em 2022. Ele estava fazendo campanha para Bolsonaro financiado pelo banqueiro. Foram mais de dez viagens no jato do banqueiro. Isso sem falar que Vorcaro foi também o maior contribuinte individual da campanha de Jair Bolsonaro, com R$ 3 milhões de contribuição, e de Tarcísio de Freitas, na campanha para governador de São Paulo, com a quantia de R$ 2 milhões. Mais ligação com o bolsonarismo é impossível.


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