Terça-feira, (10) de março de 2026
A tensão entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e integrantes da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República (PGR) tem como pano de fundo uma forte desconfiança dentro da Corte. Segundo relatos de bastidores, ministros como Dias Toffoli e Alexandre de Moraes acreditam que remanescentes da antiga operação Lava Jato, ligados ao senador Sérgio Moro (União Brasil-PR), ainda ocupam cargos estratégicos nesses órgãos e estariam atuando para desgastar o Supremo e atingir politicamente o governo.
De acordo com aliados dos ministros, a avaliação é que integrantes ligados ao legado da Lava Jato continuam influentes dentro das estruturas da Polícia Federal e da PGR. O advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay, afirmou ao jornal Correio da Manhã que esses grupos estariam por trás de ataques recentes contra membros do STF.
“A Lava Jato está super estruturada ainda. Seus integrantes estão em postos chaves da PGR, e o Moro tem agentes da Polícia Federal absolutamente ligados a ele. Basta lembrar que quando o ministro Dias Toffoli expediu a liminar de busca e apreensão na 13ª Vara de Curitiba, demorou quase um mês para ser cumprida. Ele teve que nomear agentes específicos, da confiança dele”.
Segundo Kakay, o movimento teria ligação com o senador e ex-juiz Sergio Moro (PL-PR), que coordenou a operação Lava Jato quando era titular da 13ª Vara Federal de Curitiba. Para o advogado, haveria uma articulação política e institucional para enfraquecer o Supremo.
“Tudo isso é muito grave, muito grave. Tanto é que o Toffoli teve que nomear agentes da confiança dele para a investigação do Banco Master. E, com a saída dele, o ministro André Mendonça isolou a imprensa. Isolou também o Andrei Rodrigues [diretor-geral da PF] da condução do caso. Na verdade, existe uma campanha forte coordenada pelo Moro e pelos lavajatistas. Eles entendem que um tiro no Supremo Tribunal Federal hoje é um tiro no governo. É isso que está por trás”, disse Kakay, que integra o Grupo Prerrogativas.
O ex-ministro da Justiça Eugênio Aragão, que atuou no governo Dilma Rousseff (PT), também considera que há influência do chamado “lavajatismo” nas instituições responsáveis pelas investigações.
“De fato, tanto a área penal da PGR como a PF estão contaminados pelo lavajatismo. Falta bom senso. Mas também o protagonismo algo impróprio do STF nas investigações vem incomodando muito aos investigadores, que perdem um instrumento de alavancagem corporativa”, afirmou.
Na avaliação de Marco Aurélio de Carvalho, coordenador do Grupo Prerrogativas, a oposição teria se aliado a setores ligados à Lava Jato para tentar enfraquecer o Supremo. Segundo ele, disputas internas dentro da própria Polícia Federal também ajudam a explicar vazamentos de informações.
“É preciso levar em conta que a polícia também está em disputa. Daí esses vazamentos. O interessante é que, embora criminosos, são vazamentos reveladores. Aquilo que a oposição considerou uma bala de prata contra o governo, na verdade era uma bala de festim. Não encontram nada, por exemplo, contra o Fábio [Fábio Luís Inácio, o Lulinha]. Estava tudo declarado. O mais importante não é o que eles acharam, mas o que não acharam.”
No Palácio do Planalto, a preocupação é que os dirigentes da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República identifiquem eventuais integrantes ligados ao lavajatismo em cargos estratégicos e os afastem dessas funções. No entanto, interlocutores do governo demonstram ceticismo sobre a possibilidade de mudanças rápidas nesse cenário.
Por Augusto de Sousa do DCM
Acompanhe o Blog do Zé Carlos Borges no Instagram, Facebook e Twitter.

