Quando era deputado estadual, o hoje senador e pré-candidato a presidente empregou a mulher, mãe de Adriano da Nóbrega, e também a esposa do criminoso em seu gabinete
Sábado, (21) de março de 2026
Uma ex-assessora do senador e pré-candidato à presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi denunciada nesta quinta-feira (19) sob acusação de participar da lavagem de dinheiro do filho, o miliciano Adriano da Nóbrega, morto em 2020 em uma operação policial na Bahia.
Adriano da Nóbrega integrava o grupo miliciano Escritório do Crime. Ele foi homenageado por Flávio Bolsonaro, na Alerj, com uma moção de louvor, pelos serviços quando Nóbrega era policial militar.
De acordo com a denúncia, Raimunda Veras Magalhães, ex-assessora de Flávio no período em que ele era deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), integrou uma rede criminosa de pessoas e empresas usada para “receber, movimentar e ocultar valores oriundos do jogo do bicho”.
De acordo com o Ministério Público, Adriano controlava pontos de jogo do bicho em Copacabana, em associação com o bicheiro Bernardo Bello. A investigação apontou que quatro empresas suspeitas movimentaram R$ 8,5 milhões.
“Entre os empreendimentos de fachada constam um depósito de bebida, um bar e um restaurante. Os investigadores se depararam com um quiosque de serviços de sobrancelha localizado em um shopping na zona norte, cuja conta registrou, em seis meses, aproximadamente R$ 2 milhões em créditos”, afirma o MP-RJ.
A denúncia aponta, entre outras, uma movimentação financeira atípica em uma pizzaria, entre os anos de 2014 e 2019. Entre as transferências está também uma empresa de estética, um dos focos da investigação. De acordo com a denúncia, os estabelecimentos receberam depósitos de pessoas que faziam a lavagem de dinheiro do miliciano.
Raimunda trabalhou como assessora de Flávio entre abril de 2016 e novembro de 2018. Ela foi uma das denunciadas pelo MP-RJ no esquema de “rachadinha” no gabinete de Flávio, no período em que ele esteve na Alerj. O caso foi arquivado em 2021, após a anulação das provas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) e Supremo Tribunal Federal (STF).
O Ministério Público também apresentou denúncia contra a viúva do miliciano, Julia Lotuffo, e o deputado federal Juninho do Pneu (União Brasil-RJ). A Promotoria afirma que ele adquiriu bens de Adriano após sua morte avaliados em R$ 3,5 milhões, negociados com Julia. A acusação afirma que Juninho e Julia tinham ciência da origem ilegal do imóvel e da irregularidade da transação.
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