CENTRÃO E BOLSONARISTAS APOSTAM EM LUIZ FUX E NUNES MARQUES PARA LIBERAR DANIEL VORCARO ANTES DE DELAÇÃO

Possível acordo de delação de Vorcaro junto à PGR causou alvoroço entre políticos do Centrão e bolsonaristas, incluindo ex-ministros, que fazem as contas e pressionam 2ª Turma do STF para tirar banqueiro da cadeia.
Quinta-feira, (12) de março de 2026
As informações de que a defesa de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, negocia um acordo de delação premiada junto à Procuradoria-Geral da República (PGR) colocou em polvorosa políticos do Centrão e aliados clã Bolsonaro que orbitam na atmosfera nebulosa de negócios do banqueiro.

A possível delação, negada até o momento pelo advogado de defesa Pierpaolo Bottini, causou alvoro entre os lobistas de Vorcaro, que fazem as contas e enviam recados pela mídia liberal para pressionar a segunda turma do STF, que inicia nesta sexta-feira (13), em sessão virtual, o julgamento da decisão monocrática do relator, André Mendonça.

As apostas do Centrão e de bolsonaristas é em uma empate entre os ministros, que favorece o réu e colocaria Vorcaro novamente em suas mansões, esfriando o clima para a delação. Nesta quarta-feira (11) Dias Toffoli se declarou impedido de assumir a relatoria da CPI do Master e de participar do julgamento sobre a prisão de Vorcaro.

Com isso, restam 3 ministros da segunda turma para referendar ou rejeitar a decisão de Mendonça: Gilmar Mendes, Luiz Fux e Kássio Nunes Marques.

Como há dúvidas sobre o posicionamento de Mendes, que vem sendo voz dissonante na segunda turma, a aposta do Centrão e dos bolsonaristas recaem na dobradinha Luiz Fux, que deixou a primeira turma após destoar de seus pares no julgamento da quadrilha golpista de Bolsonaro, e Nunes Marques, alçado pelo ex-presidente à corte.

OPERAÇÃ ABAFA DO CENTRÃO E DOS BOLSONARISTAS 
O levante para libertar Vorcaro e evitar uma delação premiada é parte de uma espécie de Operação Abafa de políticos do Centrão e bolsonaristas, que têm relação fisiológica com o banqueiro. O temor principal parte do ex-ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira. Presidente nacional do PP, o senador é classificado como “grande amigo da vida” nas mensagens de Vorcaro à ex-namorada, Martha Graeff.

Antônio Rueda, que consta na lista de contatos do banqueiro, é outro que busca se desvincular das investigações sobre o caso, que envolve diretamente outros três ex-ministros de Bolsonaro: João Roma e Ronaldo Bento, da Cidadania, e Flávia Perez, da Secretaria-Geral da Presidência. 

As investigações ainda recaem sobre parlamentares bolsonaristas, como Nikolas Ferreira, que fez campanha para Bolsonaro em 2022 voando no jatinho de Vorcaro. Uma delação também envolveria diretamente o clã e a candidatura de Flávio Bolsonaro, já que o ex-presidente teve como principal doador da campanha de 2022 o pastor Fabiano Zettel, da Igreja Lagoinha, cunhado de Daniel Vorcaro.

Caso afeta mais governo Bolsonaro
As investigações sobre o caso Master, que atingem o coração da Faria Lima e o elo com o crime organizado, é percebido como uma crise do sistema político, mas mais atrelada ao governo Jair Bolsonaro (PL) que a atual gestão, de Lula, segundo detalhamento da pesquisa Quaest divulgado nesta quinta-feira (12).

Segundo o levantamento, 65% dos entrevistados tiveram conhecimento de que Daniel Vorcaro foi preso e 40% afirmam que o “escândalo do Banco Master” afeta todas as opções colocadas na pesquisa: STF/Judiciário, governo anterior Bolsonaro, governo Lula, Banco Central e Congresso Nacional.

No entanto, para 11%, o caso Master atinge mais o governo Bolsonaro, enquanto 10% citam a gestão atual. Para 13%, o STF é mais afetado negativamente pelo escândalo. Completam o cenário: Banco Central (5%) e Congresso (3%).

“Mas há diferenças nessa percepção. O eleitorado lulista e de esquerda enxerga efeito mais negativo para o governo Bolsonaro. O eleitorado bolsonarista e de direita vê mais efeitos negativos para o Supremo e o governo Lula. Mas os independentes, que moderam o debate, afirmam com convicção que o sistema inteiro sofre com o escândalo”, analisa Felipe Nunes, CEO da Quaest.

A pesquisa mostra também que entre os autoproclamados “independentes” – que seria o voto em disputa na eleição -, a percepção maior é que o caso afeta mais o governo Lula (9%) do que a gestão de Bolsonaro (4%).

O estudo revela ainda que o caso, que desencadeou uma operação Lava Jato 2.0 na mídia liberal, terá impacto eleitoral para 67% dos entrevistados. Os dados revelam que 38% dizem que vão evitar votar em qualquer candidato envolvido no escândalo e 29% levará em contato o caso na hora de escolher seu candidato nas eleições de outubro.

“Os mais engajados com o voto anti-master são os eleitores bolsonaristas (49%) e os eleitores de direita (42%). Nos independentes, que enxergam a crise mais ampla e não focalizada, 36% deixariam de votar em alguém envolvido com o escândalo Master”, diz Nunes.

A Quaest ouviu 2.004 pessoas em 120 municípios entre os dias 6 e 9/MARÇO. O nível de confiabilidade da pesquisa é de 95% e a margem de erro é de 2 pp. A pesquisa foi encomendada pela Genial Investimentos e está registrada no TSE (BR-5809/2026).  


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