BANCO PLENO, LIQUIDADO PELO BANCO CENTRAL, É MAIS UM ELO DO MASTER COM ALIANÇA ENTRE CENTRÃO E BOLSONARISMO NO DF; ENTENDA

Fórum revelou que ex-ministro Ronaldo Bento, escalado por Bolsonaro para abrir o consignado para Auxílio Brasil, ganhou cargo no Pleno. Dono, Augusto Lima é casado com Flávia Perez (ex-Arruda), que também foi ministra do ex-presidente.
Quarta-feira, (18) de fevereiro de 2026
- Daniel Vorcaro, Ibaneis Rocha e o casal Augusto Lima e Flávia Peres (Youtube / Agência Brasília / Instituto Terra Firme)
Com a liquidação decretada pelo pelo Banco Central nesta quarta-feira (18), o Banco Pleno é mais um elo que liga o Centrão do Distrito Federal, comandado por Ibaneis Rocha (MDB), ao extremismo capitaneado por Jair Bolsonaro nos últimos anos.

​”O Banco Central decretou hoje, 18 de fevereiro de 2026, a liquidação extrajudicial do Banco Pleno S.A., com a extensão do regime especial à Pleno Distribuidora Títulos e Valores Mobiliário S.A., entidades integrantes do conglomerado prudencial Pleno. Trata-se de conglomerado de porte pequeno e enquadrado no segmento S4 da regulação prudencial, tendo como instituição líder o Banco Pleno”, diz o texto divulgado às 7h.

Segundo o BC, o Pleno detém 0,04% do ativo total e 0,05% das captações totais do Sistema Financeiro Nacional (SFN) e foi liquidado por “deterioração da situação de liquidez, bem como por infringência às normas que disciplinam a sua atividade e inobservância das determinações do Banco Central do Brasil”.

“Nos termos da lei, ficam indisponíveis os bens dos controladores e dos administradores da instituição objeto da liquidação decretada”, determina a instituição.

Sócio de Vorcaro
A liquidação do Banco Pleno acontece na esteira das investigações feitas pelo próprio Banco Central sobre o Master, de Daniel Vorcaro. Augusto Lima, sócio de Vorcaro, comandava a instituição que foi transformada primeiramente com a marca de Banco Voiter, em 2019, quando o então Banco Indusval foi comprado pelo grupo Master.

Em meados de 2025, quando Lima assumiu o controle societário, o Voite foi renomeado para Banco Pleno após aprovação do Banco Central para a transferência de controle. A transferência de controle, já durante as investigações da PF e do Banco Central, foram estratégicas. O Pleno seria a instituição que herdaria os ativos saudáveis do Master após a fusão com o Banco de Brasília.

No entanto, O BC liquidou o Master em 18 de novembro, em meio às negociatas de Vorcaro com Ibaneis Rocha e um dia após o banqueiro ser preso pela PF no aeroporto de Guarulhos quando tentava embarcar para os Emirados Árabes.

Para comandar a parte saudável do Master no Pleno – que incluía os créditos consignados da instituição -, Augusto Lima escalou o ex-ministro da Cidadania Ronaldo Vieira Bento, que no governo Jair Bolsonaro (PL) foi justamente o encarregado da formulação e implantação das regras que abriram o consignado para beneficiários do Auxílio Brasil.

Grupo de Ibaneis e Arruda
Sócio de Vorcaro no Banco Master, Augusto Lima em na atual esposa um elo direto com Ibaneis Rocha e o bolsonarismo.

Em janeiro de 2024, Lima se casou com Flávia Arruda (PL-DF), que foi ministra-chefe da Secretaria de Governo do Brasil na negociata de Jair Bolsonaro (PL) com o grupo de Ibaneis e do ex-governador do DF, José Roberto Arruda, em 2021. Após cumprir pena por corrupção, Arruda atualmente comanda o PL no Distrito Federal, dividindo a atribuição com a Damares Alves.

Antes de se tornar deputada federal, em 2019, e ser alçada ao ministério de Bolsonaro, Flávia foi primeira-dama do GDF durante o governo Arruda, de quem herdou o nome político. O casal se separou em novembro de 2022, pouco mais de um ano antes de Flávia se casar com o sócio de Vorcaro.

Após ensaiar ser vice de Ibaneis na chapa à reeleição, em 2022, Flávia Arruda saiu candidato ao Senado, mas perdeu a vaga justamente para Damares Alves.

Com o casamento com Lima, Flávia abandonou o sobrenome do ex-marido e retomou o de solteira, Péres. Além disso, assumiu a presidência do instituto Terra Firme, uma ONG fundada pelo atual marido que diz atuar para a redução da desigualdade social na Bahia.

Fortuna bloqueada
Meses antes de se tornar um dos alvos da Operação Compliance Zero, o ex-sócio do Banco Master, Augusto Lima, já havia tido parte expressiva de seu patrimônio bloqueada pela 2ª Vara Cível do Tribunal de Justiça paulista.

A medida foi tomada no âmbito de uma ação de execução de dívida movida pela família ex-controladora do Banco Voiter – o liquidado Banco Pleno -, vendido ao Banco Master em 2024. Os autores da ação pediram o bloqueio liminar de bens dos banqueiros do Master no valor total da dívida, estimada em R$ 470,5 milhões.

Na época, foram encontrados R$ 112 milhões aplicados na Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários (DTVM), recentemente liquidada pelo Banco Central (BC).

Além dos R$ 112,8 milhões identificados na Reag, a Justiça encontrou valores menores em outras instituições financeiras. Segundo os autos, havia R$ 484 mil no Bradesco, R$ 317,4 mil no Santander, R$ 274,41 no Banco do Brasil, R$ 2,3 mil no próprio Banco Master e apenas R$ 0,44 em uma conta vinculada à Pluxee IP.

Por: Plinio Teodoro da Revista Fórum


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