PF ENCONTRA PLANILHA DE EMENDAS DE DEPUTADOS COM ASSESSORA DE ARTHUR LIRA DO PP

Documentos apreendidos indicam controle do orçamento secreto e são analisados pela Polícia Federal
Sábado, (31) de janeiro de 2026 
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o deputado Arthur Lira (PP-AL). Foto: Mauro Pimentel/AFP
A Polícia Federal (PF) apreendeu dezenas de planilhas com dados sobre emendas parlamentares de deputados federais em um endereço de Mariângela Fialek, a Tuca, durante a Operação Transparência, realizada em dezembro de 2025, conforme informações do colunista Fabio Serapião, do UOL. O material foi recolhido no âmbito da investigação que apura o uso e a organização de emendas relacionadas ao chamado orçamento secreto.

Tuca ficou conhecida em Brasília por ter sido braço direito de Arthur Lira (PP-AL) na gestão do orçamento secreto entre 2021 e 2022, período em que ele presidiu a Câmara dos Deputados.

Por determinação do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), a PF cumpriu mandados de busca na residência da advogada e em seu gabinete na Presidência da Câmara. Além de documentos físicos, os agentes localizaram um computador antigo que armazenava a maior parte das planilhas com dados sobre as emendas.

Desde a apreensão, os arquivos vêm sendo periciados pelos investigadores. A apuração busca esclarecer se o conteúdo corresponde a controles internos das emendas de relator, mecanismo que ficou conhecido como orçamento secreto e foi posteriormente declarado inconstitucional pelo STF.

Orçamento secreto e falta de transparência
As emendas RP9, proibidas pela Corte em 2022, ampliaram o poder do Congresso sobre a distribuição de recursos federais e resultaram no empenho de cerca de R$ 45 bilhões entre 2020 e 2022, durante o governo Jair Bolsonaro (PL). Desse montante, aproximadamente R$ 20 bilhões foram executados sem transparência, sem a identificação dos parlamentares responsáveis pelas indicações.

A ausência de rastreabilidade impedia, por exemplo, que a Polícia Federal identificasse qual deputado havia direcionado recursos para obras sob suspeita de irregularidades. Também não era possível mensurar quanto cada parlamentar controlava em emendas.

Segundo a PF, a análise das planilhas apreendidas pode revelar como se dava a divisão desses recursos e quais parlamentares estavam por trás das indicações, a partir dos interesses de Arthur Lira e de outras lideranças políticas.

Tuca é apontada pelos investigadores como responsável pelo “controle e organização do chamado orçamento secreto na sua primeira modalidade, qual seja, por meio da chamada emenda de relator”.

“Estamos falando de uma atuação longeva na organização desses recursos, que remonta à época da pandemia e coincide com o mandato de Arthur Lira na presidência da Câmara dos Deputados”, afirmou a Polícia Federal ao solicitar as medidas de busca.

Continuidade após a queda das RP9
A Operação Transparência também apura se a ex-assessora de Lira manteve influência sobre a gestão das verbas mesmo após a proibição das emendas de relator, já durante a presidência da Câmara comandada por Hugo Motta (Republicanos-PB).

A investigação teve como ponto de partida depoimentos do senador Cleitinho (Republicanos-MG) e dos deputados Adriana Ventura (Novo-SP), Glauber Braga (PSOL-RJ), José Rocha (União Brasil-BA), Fernando Marangoni (União Brasil-SP) e Dr. Francisco (PT-PI).

Eles relataram suspeitas de desvio envolvendo emendas de comissão, apontadas pela PF como uma nova versão do orçamento secreto.
Mariângela Fialek, a Tuca. Foto: Reprodução


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