O caso aconteceu durante uma patrulha do Departamento de Segurança Interna (DHS), e imagens circulam nas redes sociais mostrando a ação.
Sábado, (24) de janeiro de 2026
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| Homem é morto a tiros por agente federal de imigração em Minneapolis, nos Estados Unidos. — Foto: Reprodução |
A Polícia de Minneapolis confirmou o óbito e informou que a vítima era residente da cidade e, segundo informações preliminares, cidadão dos Estados Unidos. O nome do homem não havia sido divulgado até a última atualização do caso.
Imagens que circulam nas redes sociais mostram agentes federais, identificados como integrantes do Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE, na sigla em inglês), detendo um homem no chão.
No vídeo, é possível ver vários agentes espancando o indivíduo antes de um deles sacar a arma e efetuar disparos à queima-roupa. Após o primeiro tiro, outros disparos são ouvidos, enquanto os agentes se afastam do corpo.
De acordo com testemunhas ouvidas pelo site The Intercept, o homem não era alvo de uma operação de imigração. Um dos relatos afirma que ele atuava como observador civil, acompanhando a movimentação de agentes federais.
Segundo essa testemunha, não houve confronto físico prévio nem sinais de que a situação pudesse evoluir para violência.
O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) confirmou que houve um tiroteio envolvendo agentes federais. Em nota, um porta-voz do órgão afirmou que o homem portava uma arma de fogo.
Após o ocorrido, cerca de 100 manifestantes se reuniram no local exigindo que a polícia local prendesse os agentes federais envolvidos. O episódio ocorreu um dia após grandes manifestações na cidade contra uma série de operações migratórias conduzidas por diferentes agências federais.
O caso acontece poucas semanas depois de outro incidente em Minneapolis, no qual Renee Good, também cidadã norte-americana, foi morta durante uma ação do ICE.
Protestos contra o ICE
Milhares de manifestantes desafiaram o frio intenso e os ventos fortes em Nova York, nesta sexta-feira (23), para protestar contra as ações repressivas e abusivas do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) em diversas regiões dos Estados Unidos, além da detenção, nesta semana, de um menino de 5 anos nas proximidades de Minneapolis.
Empresas amanheceram fechadas. O clima de medo provocado pelo aumento das detenções levou vendedores, sindicatos e moradores a aderirem a um apagão econômico e a se reunirem em protestos e vigílias, organizados sob o lema “Dia da Verdade e da Liberdade”.
“A dor e a tensão são reais”, afirmou ao New York Times o bispo Dwayne Royster, da Faith in Action. Segundo ele, a reação da população revela “uma resiliência profunda e uma disposição coletiva de enfrentamento”.
Donald Trump determinou o envio de milhares de agentes do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega) a cidades e estados governados por democratas, sob o argumento de combater o crime e a imigração irregular ao longo de 2025. Como já destacaram especialistas, a medida não passa de uma provocação política, desnecessária e potencialmente inflamatória, que amplia tensões e riscos de violência.
Os protestos ocorrem em meio a semanas de confrontos entre moradores de Minnesota e agentes federais, especialmente em Minneapolis e St. Paul, desencadeados pela intensificação da operação de imigração ordenada pela administração Trump, que enviou milhares de agentes e já resultou em milhares de prisões e em episódios de violência nas ruas.
Os dados da polícia de Trump
O ICE (sigla para Immigration and Customs Enforcement, ou Serviço de Imigração e Alfândega) é a força responsável pela apreensão de imigrantes nos Estados Unidos. Seu uso indiscriminado e as condições de detenção têm sido denunciados por entidades de direitos humanos por violações à dignidade da pessoa humana, especialmente após a posse de Donald Trump, em janeiro de 2025.
Uma análise da organização Prison Policy Initiative, baseada em dados internos do ICE, aponta que mais de mil pessoas foram presas diariamente pela agência ao longo de 2025.
Levantamentos estaduais referentes ao período entre 20 de janeiro e 15 de outubro de 2025 indicam que, apenas nesses dez meses, o ICE realizou ao menos 217 mil prisões em todo o país. O número não inclui o restante do quarto trimestre de 2025 nem dados de 2026, o que sugere que o total anual pode ser ainda maior.
Relatórios sobre as condições de custódia mostram que 2025 foi o ano mais letal das últimas duas décadas para pessoas detidas pelo ICE. Pelo menos 32 mortes foram registradas durante o ano, igualando ou superando o recorde anterior, estabelecido em 2004.
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