PROFESSOR DE RELAÇÕES INTERNACIONAIS DA PUC-SP APONTA PETRÓLEO, LOCALIZAÇÃO ESTRATÉGICA E POLÍTICA INTERNA COMO POSSÍVEIS MOTIVOS DE ATAQUE

Domingo, 5 de Janeiro de 2020
Nem bem começou o ano novo e os Estados Unidos já realizaram uma de suas maiores ofensivas recentes contra o Irã. Sob comando de Donald Trump, o exército americano planejou e executou uma operação no Iraque que culminou com a morte de um dos principais líderes iranianos, o militar Qassim Soleimani, considerado por muitos como a segunda pessoa mais poderosa do país, à frente do presidente Hassan Rohani e atrás somente do líder supremo Ali Khamenei.

Desde então, muitas teorias começaram a ser levantadas sobre o real motivo que teria levado o governo americano a matar Soleimani, uma vez que, oficialmente, a justificativa foi a de que ele era terrorista e que representava risco aos EUA, sem maiores detalhes. Para o professor de Relações Internacionais da PUC-SP, Reginaldo Nasser, existem vários motivos que podem ter justificado o ataque.

Para ele, a vasta oferta de petróleo e a boa localização geográfica, com acesso ao Golfo Pérsico, são alguns dos principais motivos para atacar o Irã, que, desde o fim da primeira guerra, é um território disputado por grandes potências. “A Rússia invadiu o norte e os britânicos o sul do país. Depois da segunda guerra é que entra os EUA. É um século de disputa por esse território”, relembra.

Além destes motivos históricos, o professor também acredita que o momento político americano tenha sido um motivo para realizar a ofensiva. “As ações bélicas da presidência dos EUA sempre levam em conta as relações domésticas e internacionais. No caso, não há como não relacionar com duas questões internas: o processo de impeachment de Donald Trump e eleições presidenciais que estão por vir”, cita.

O resultado interno da operação militar no Iraque ainda deverá ser medido nas próximas pesquisas de opinião, mas internacionalmente o resultado já é negativo. “No país, o impacto ainda é incerto, mas no exterior já está claro: os principais aliados dos americanos não apoiaram a ação. Eles também não criticaram, mas não houve apoio”, comenta o professor.

Já sobre o posicionamento do Brasil diante da questão, Reginaldo Nasser avalia que foi muito negativo. Logo após o ataque, o Itamaraty emitiu uma nota pedindo uma ação global contra o terrorismo. “Foi irresponsável, sem sentido e contraditório. Como eu digo que o general de um país com quem eu tenho relação é terrorista? Até agora ninguém fez o que o Brasil fez”, pontua.

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Zé Carlos Borges

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