Terça-feira, 17 de Setembro de 2019
O ex-presidente Michel Temer (MDB) afirmou nesta segunda-feira (16) que nunca conspirou contra a antecessora, Dilma Rousseff (PT), para assumir a Presidência da República. Em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, o emedebista declarou que "não era, digamos, adepto ao golpe".
— O pessoal dizia "O Temer é golpista" e que eu teria apoiado o golpe. Eu jamais apoiei ou fiz empenho pelo golpe — disse Temer, que assumiu o cargo máximo do Executivo nacional em agosto de 2016, devido ao impeachment de Dilma.
— Recentemente, o jornal Folha (de S.Paulo) detectou um telefonema que o ex-presidente Lula me deu onde ele pleitava, e depois esteve comigo, para trazer o MDB para impedir o impeachment. E eu tentei. Mas a esta altura, a movimentação popular era tão grande e tão intensa que os partidos já estavam vocacionados para esta ideia. Mas veja que, até o último momento, e este telefonema revela, que eu não era, digamos, adepto ao golpe — afirmou.
Na entrevista, Temer também falou sobre a divulgação de uma conversa telefônica entre Dilma e o antecessor dela, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que ganhou repercussão antes do impeachment. Para o emedebista, o diálogo não poderia ter sido divulgado.
— Para o paladar de quem preza a ordem jurídica, (o diálogo) não poderia ser divulgado. Se divulgado fosse, deveria ser divulgado por inteiro, porque daí você tem o conjunto probatório.
A conversa em questão foi gravada pela Polícia Federal em março de 2016. Nela, Dilma diz a Lula que enviaria um "termo de posse" para ser usado "em caso de necessidade" — o trecho foi interpretado como tentativa de garantir foro privilegiado a Lula com a nomeação para a Casa Civil, medida que acabou suspensa por decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A hipótese foi negada pela então presidente Dilma após o diálogo ter sido tornado público — o que ocorreu porque o juiz federal Sergio Moro, hoje ministro da Justiça e da Segurança, retirou o sigilo das gravações.
O assunto voltou a ser comentado no último dia 8 de setembro. Reportagem da Folha de S.Paulo com o site The Intercept Brasil aponta que, conforme relatórios da PF, outros 22 telefonemas de Lula foram interceptados pelos policiais. Essas ligações revelariam que o próprio Lula tinha dúvidas sobre aceitar ou não o cargo na Casa Civil. A reportagem também cita conversas entre Lula e o então vice-presidente Temer.
— Ele estava preocupado com o impeachment, e foi a única conversa, porque depois ele esteve comigo, conversando sobre o impedimento (de Dilma Rousseff), pedindo que eu colaborasse. Que, afinal, a derrubada da ex-presidente não seria útil para o país.
O ex-presidente também falou sobre o sucessor, Jair Bolsonaro. Para Temer, o atual chefe do Executivo adota um estilo de governar "mais de confronto".
— Digamos que não é útil. Mas se a economia estiver caminhando bem, o empresariado investe — disse. — Por mais que se fale que podemos caminhar para o autoritarismo, acho difícil chegar nisso.
Políticos reagem à confissão de Temer de que impeachment foi golpe
Políticos começaram esta terça-feira (17) repercutindo a confissão do ex-presidente Michel Temer de que um golpe parlamentar destituiu Dilma Rousseff, em agosto de 2016. No programa Roda Viva, transmitido pela TV Cultura, na última segunda, Temer afirmou que 'jamais apoiou ou fez empenho pelo golpe', o que despertou os ânimos de partidários e nomes da oposição.“E até o Temer candidamente admitiu que foi ‘golpe’ o processo para derrubar Dilma.
Ele confirma, ao negar cinicamente, que tenha participado da tramoia política”, disse o vice-líder do PCdoB, deputado federal Márcio Jerry (MA).
Líder do PT na Câmara dos Deputados, deputado federal Paulo Pimenta (RS) listou as consequências diretas do quadro político que se configurou no país após o impeachment da presidente. “Sem o golpe agora admitido por Temer e Janaína Paschoal, não haveria: fim da CLT, prisão de Lula, entrega do pré-sal, eleição de Bolsonaro, privatização da BR Distribuidora, destruição da previdência, gasolina a R$ 5, fim do PAC e do Minha Casa Minha Vida”, comentou.
Ministra durante o segundo governo de Dilma Rousseff, a senadora pelo PDT-TO, Kátia Abreu também não deixou passar. “Não fica nem vermelho!”, alfinetou.
Candidato à Presidência nas eleições de 2018, Guilherme Boulos (PSOL) aproveitou para retomar a crise da Vaza Jato e o envolvimento do atual ministro da Justiça, Sérgio Moro. “O Roda Viva parece estar provocando lampejos de sinceridade nos entrevistados. Hoje, Temer, o golpista, admitiu o golpe. A Daniela Lima poderia convidar o Moro e perguntar pra ele se o Lula é preso político”, ironizou.
A menção aos membros da força-tarefa da Lava Jato também foram citados pela deputada federal Maria do Rosário (PT-RS). “Temer admite o Golpe no Roda Viva. E os golpistas tinham um QG em Curitiba, buscando desestabilizar o Brasil. Quem calou, consentiu. Deltan Dallagnol tentou golpear o STF também”, afirmou.
Presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias na Câmara dos Deputados, deputado Helder Salomão (PT-ES), também recordou a afirmação feita pela deputada do PSL-SP, Janaína Paschoal, no último sábado (12). “Depois da Janaína Pascoal, foi a vez de Michel Temer admitir o GOLPE contra a presidenta Dilma Rousseff. O golpe que gerou o governo Bolsonaro, gerou crise, desemprego, o fim da CLT, o fim do Mais Médicos, o fim do MCMV, o fim da sua aposentadoria. Golpistas destruíram o Brasil”, disse.
Diante da repercussão, a também pesselista, Carla Zambelli (SP) preferiu escapar pela tangente. “Temer no Roda Viva: Jornalista 1: ‘Mas e o Bolsonaro?’, Jornalista 2: ‘Ah, e o Bolsonaro?’, Jornalista 3: ‘E quanto ao Bolsonaro?’ Eita...”, escreveu.
Antes do Roda Viva de ontem, no último sábado (12), Janaína Paschoal já havia admitido que as “pedaladas fiscais” usadas como base para justificar o afastamento da presidenta, foram uma farsa. “Alguém acha que Dilma caiu por um problema contábil?”, escreveu a advogada em sua conta no Twitter na manhã deste sábado (12).
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