Ex-presidente depôs à PF por cerca de duas horas nesta quinta. Ex-presidente é investigado pela suspeita de que está financiando a vida de luxo de Eduardo Bolsonaro no exterior, para que de lá ele ameace a Justiça brasileira.
Quinta-feira, (05) de junho de 2025
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| O ex-presidente Jair Bolsonaro durante conversa com jornalistas após depoimento à Polícia Federal, nesta quinta (5). Foto: Reprodução/TV Globo |
Durante coletiva de imprensa após deixar o depoimento, Bolsonaro disse que mandou “bastante dinheiro legal” ao filho e que o valor foi enviado para ele “não passar necessidade” no território americano. “Botei dinheiro na conta dele, bastante até, dinheiro limpo, legal, até Pix”, relatou.
O ex-presidente foi convocado a depor após ser apontado pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que pediu a abertura do inquérito, como principal beneficiário da articulação de Eduardo, que busca sanções internacionais contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Na conversa com jornalistas, Bolsonaro negou a existência de um “lobby” ou “trabalho” do deputado nos Estados Unidos para tentar “sancionar quem quer que seja no Brasil”. Ele ainda disse sentir “orgulho” do que Eduardo tem feito no país e afirmou que sua atuação tem a ver com a defesa da democracia.
No mês passado, o ex-mandatário já havia admitido que estava “bancando” o filho, que ficou sem salário após se licenciar do mandato. Na ocasião, ele disse que estava enviando dinheiro recebido via Pix de apoiadores em 2023, quando arrecadou R$ 17,2 milhões.
O depoimento durou cerca de duas horas: ele chegou à sede da Polícia Federal por volta das 14h40 e deixou o local às 17h. Ele também foi convocado para uma oitiva sobre um inquérito contra a deputada Carla Zambelli (PL-SP), que também fugiu para o exterior.
Ao deixar o local, ele disse que não foi ouvido pela corporação no caso da paramentar. “Eu vi pela imprensa, que estou no inquérito também. Mas esse assunto não foi tratado. Não tenho nada a ver com a Carla Zambelli, não botei dinheiro no Pix dela, tá certo? Realmente acompanhei pela imprensa o caso dela”, prosseguiu.
Bolsonaro ainda relatou que só foi questionado sobre “a questão dos recursos que colocou na conta do filho”.
Investigado por financiar ataques à Justiça brasileira
A suspeita que paira sobre Jair Bolsonaro é que ele esteja bancando, com doações arrecadadas de apoiadores, a estadia e as movimentações políticas do filho nos EUA. Ou seja, o ex-presidente seria responsável por sustentar uma operação internacional de intimidação e tentativa de obstrução de Justiça.
O próprio inquérito conduzido pela PF destaca que Bolsonaro “já declarou ser o responsável financeiro pela manutenção do sr. Eduardo Bolsonaro em território americano”. Isso, por si só, já vincula o ex-presidente a possíveis crimes de coação no curso do processo e obstrução de investigações.
O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) também foi ouvido pela PF, após ser o responsável por provocar a PGR a investigar os atos de Eduardo. O pedido resultou na abertura formal do inquérito no último dia 26, assinado pelo procurador-geral Paulo Gonet. Em sua fundamentação, Gonet citou que o próprio Eduardo Bolsonaro tem divulgado publicamente suas investidas contra ministros brasileiros no exterior.
Vida de luxo financiada com discurso de honestidade
Enquanto ostenta um estilo de vida austero em público, Bolsonaro mantém com naturalidade a vida nababesca do filho em solo estrangeiro, sustentando gastos milionários com o Pix da “honestidade”. A narrativa de cidadão comum contrasta com o uso de recursos arrecadados entre seguidores para bancar uma operação política internacional de caráter claramente golpista.
Aos olhos das autoridades brasileiras, Eduardo Bolsonaro age como peão de um tabuleiro orquestrado por seu pai, ao mesmo tempo em que desfruta de privilégios e conforto fora do alcance da maioria da população — justamente a que banca, com fé cega, a cruzada familiar contra a democracia.
O depoimento de Eduardo, por enquanto, será entregue por escrito, já que o parlamentar está em território norte-americano. Mas o cerco jurídico se fecha não apenas sobre ele: o centro do escândalo está no fluxo de dinheiro, e esse já foi claramente admitido por Jair Bolsonaro. milhões.
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