PF CITA EX-PRESIDENTE DO INSS NO GOVERNO DE JAIR BOLSONARO NO INQUÉRITO SOBRE FRAUDES CONTRA APOSENTADOS

José Carlos Oliveira, que mudou seu nome para Ahmed Mohamad Oliveira Andrade, também comandou o Ministério do Trabalho e Previdência na gestão do ex-presidente; Operação Sem Desconto revela que um sócio dele, com salário de R$ 1,5 mil, recebeu dinheiro de assessor de uma das entidades investigadas por rombo de R$ 6,3 bilhões

Terça-feira, (06) de abril de 2025
O ex-ministro José Carlos Oliveira, que comandou o Ministério do Trabalho e Previdência no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), é citado na investigação da Polícia Federal sobre as fraudes que causaram um prejuízo de R$ 6,3 bilhões em milhares de aposentados do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS). Oliveira também foi presidente do INSS, onde é servidor de carreira, entre novembro de 2021 e março de 2022.

O nome do ex-ministro despontou na investigação da Operação Sem Desconto a partir da análise de movimentações financeiras de associações e sindicatos sob suspeita de ligação com o esquema. A informação foi divulgada pelo portal Metrópoles e confirmada pelo portal Estadão. A Operação Sem Desconto foi deflagrada na semana passada e levou à queda do presidente do INSS, Alessandro Stefanutto e do ministro Carlos Lupi (Previdência).

O ex-ministro mudou de nome e hoje se apresenta como Ahmed Mohamad Oliveira Andrade. Ele foi vereador em São Paulo (2008-2012) pelo PSD e, nas eleições de 2024, tentou emplacar uma nova candidatura na Câmara Municipal, mas não se elegeu.

De acordo com informações do portal EstadãoJosé Carlos, agora Ahmed Mohamad, foi sócio de duas empresas, a Fayard Organização e Serviços Empresariais e a Yamada e Hatheyer Servicos Administrativos, em parceria com José Laudenor da Silva.

Ocorre que José Laudenor trabalha como auxiliar administrativo com salário de R$ 1,5 mil, o que levantou suspeitas da Polícia Federal de que ele seja um laranja.

Bancos emitiram alertas sobre as movimentações financeiras de José Laudenor, consideradas incompatíveis com a renda declarada.

“Foram trafegados recursos com terceiros sem vínculo aparente; também, não foi verificada justificativa para a elevada movimentação, sugerindo o uso da conta para operar recursos de terceiros ou atividades não declaradas”, afirma a PF.

O suposto sócio foi o pivô que levou a Polícia Federal ao ex-ministro. José Laudenor recebeu dinheiro de Cícero Marcelino, assessor de Carlos Roberto Ferreira Lopes, presidente da Conafer, e enviou e recebeu dinheiro de Oliveira, “sem justificativa aparente”, segundo a PF.

“Por fim, vale reforçar, uma vez mais, que José Laudenor manteve vínculos financeiros com Cícero Marcelino (que, por sua vez, operou com Carlos Roberto Ferreira Lopes – Presidente da Conafer) e também com Ahmed Mohamad, ex-Presidente do INSS e ex-Ministro do Trabalho e Previdência. Ao que ficou demonstrado, tais transações sugeriram a utilização de contas para movimentar recursos de terceiros e/ou atividades não declaradas, caracterizando possíveis indícios de burla/fracionamento e lavagem de dinheiro”, conclui a Polícia Federal.

Ex-assessor movimentou dinheiro com o ex-ministro
A apuração envolve a Conafer (Confederação Nacional de Agricultores Familiares), uma das entidades sob suspeita. O Coaf identificou movimentações financeiras atípicas entre Cícero Marcelino, assessor do presidente da Conafer, e Ahmed Mohamad.

Segundo os dados, Marcelino transferiu valores para José Laudenor, um auxiliar com salário declarado de R$ 1,5 mil. Laudenor figura como sócio de Ahmed em duas empresas: Fayard Organização e Serviços e Yamada e Hatheyer Serviços.

Empresas ligadas a familiares e aliados
A Fayard tinha Ahmed Mohamad como sócio até junho de 2022, de acordo com a PF. Como ele ocupava cargo público, a empresa foi classificada como Pessoa Exposta Politicamente (PEP).

Na Yamada e Hatheyer, os sócios incluem Yasmin Ahmed Hatheyer Oliveira, filha de Ahmed, e Edson Akio Yamada, ex-diretor do setor de Benefícios do INSS. Esse setor foi o responsável por firmar os convênios com as entidades investigadas.

Suspeita de pré-campanha com dinheiro irregular
Outro nome citado na investigação é José Arnaldo Bezerra Guimarães, que teria quitado boletos em nome de Ahmed e de sua filha. Um dos documentos indicava o uso do valor para “pré-campanha 2024”, sugerindo uma articulação política futura do ex-ministro.

Número de convênios disparou durante sua gestão
Até 2021, apenas 15 entidades podiam descontar mensalidades dos benefícios de aposentados. Durante a gestão de Ahmed no INSS e no Ministério da Previdência, esse número subiu para 20.Quando era diretor de Benefícios do INSS, três convênios foram firmados.

Já como presidente do instituto e ministro, seus subordinados assinaram mais 17 acordos.
A Polícia Federal suspeita que parte dessas associações tenha usado os convênios para aplicar cobranças indevidas em aposentados. A investigação ainda está em andamento.


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